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terça-feira, 26 de julho de 2016

Ser VOLUNTÁRIO é Ser Humano!


O voluntariado é uma oportunidade excepcional para a prática do bem e da solidariedade.

Ser voluntário é muito mais que oferecer uma parte de seu tempo, é muito mais que olhar para a necessidade do outro, muito mais que fazer parte de uma maravilhosa corrente, muito mais que colocar o seu entendimento e experiência em benefício do todo, vai além das expectativas do ser humano e o coloca em destaque, tanto para quem doa, tanto para quem recebe.

O voluntário é um guerreiro silencioso que não busca fama, dinheiro ou oportunidade de riquezas, apenas dá o que tem de melhor. A visão do voluntário é ampla e bela, pois tem um alcance infinitamente maior sobre o que acontece ao seu redor e se integra a estas condições sempre com muita entrega e determinação.

Uma frase que ouvimos constantemente é: 
“Gostaria tanto de ajudar, mas não sei como.”

É muito fácil! Somente basta desejo de ajudar, aliado ao comprometimento com a causa.

Ser voluntário é Ser Humano…

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Por que repetimos os mesmos sofrimentos?


Não importa em que tipo de relacionamento você se encontre, se familiar, afetivo, de amizade, profissional. Escuto esta pergunta o tempo todo: Mas, Alenne, por que eu continuo sofrendo pelos mesmos motivos? Atraindo o mesmo tipo de pessoas? Passando pelos mesmos problemas?
A resposta é bastante simples, embora sua solução demande um bocado de esforço:                             O responsável é seu Eu Machucado.
Todos nós temos dois EUs ou, se preferir, dois SELFs. Temos o Eu Machucado (ou Self Inferior) e o Eu Superior (ou Self Superior).
O Eu Machucado é sua parte incompleta, é sua porção que questiona seu valor próprio, que não se sente completo, se sente inferior. Seu Eu Machucado vive se perguntando por que você não é suficiente, por que não consegue isso ou aquilo, por que não merece o que deseja. É seu Eu Machucado que não se conforma em não ser amado.
Por outro lado, você também tem um Eu Superior. Talvez ele esteja mais próximo do que chamamos de alma. É sua parte ligada ao amor mais puro e verdadeiro, à sabedoria, à verdade, à sua paz interior. Seu Eu Superior sabe exatamente seu valor, conhece suas forças e aceita que você seja do jeitinho que você é. Este Eu Superior não precisa que outros nos valorizem, nos amem, nos reconheçam; ele já faz tudo isso por você. Ele reconhece sua completude em si mesmo.
Em muitos momentos, operamos a partir de um ou de outro. Mas muitos de nós operamos na maior parte do tempo a partir do Eu Machucado. Ou seja, acreditam que são inferiores, frágeis, incompletos e que precisamos de algo externo para compensar essa falta.
O Eu Machucado procura lá fora (nos outros, nas coisas, nos relacionamentos, no emprego, no dinheiro…) algo que te faça encontrar validação e reconhecimento. Ele acredita que quanto mais você tem (repito: um parceiro melhor, um emprego melhor, uma casa melhor, mais férias, mais dinheiro…) aí sim você será feliz.
Mas … o vazio não é preenchido e você nunca consegue essa felicidade pronta e sem fim.
Na verdade, nos primeiros momentos em que você obtém esse algo externo (dinheiro, amor, férias…) você até se sente muito animado, como se não precisasse de mais nada. É uma falsa completude, porque é da própria natureza do Eu Machucado: ele nunca se sente completo, nunca é o suficiente.
Portanto, quando você vive através da perspectiva do seu Eu Machucado, você está destinado a se sentir como se algo estivesse sempre faltando.
Em relacionamentos afetivos o Eu Machucado fica altamente ativo, pois é nos relacionamentos onde vivemos mais situações em que podemos experimentar sofrimento.
Todos nós já vivenciamos chateações, decepções, dores num relacionamento passado. Muitas vezes essa memória (tantas vezes inconsciente) é originada lá na infância, nos nossos primeiros relacionamentos (pai, mãe, responsáveis, avós, tios, irmãos, primos, professores, coleguinhas…).
Se uma ferida da infância ainda está ativa dentro de você, é provável que você atraia pessoas que lhe farão reviver esse mesmo sentimento. Quer um exemplo? Se você foi rejeitado, é possível que atraia relacionamentos que, no fim, te façam se sentir invisível, rejeitado, sem valor, abandonado.
Seu inconsciente está programado para atrair pessoas que ativam essas feridas. E você pode me perguntar: Mas Alenne, por que isso acontece? Até quando preciso passar por isso?
A razão para isso é simples e muitas vezes difícil e dolorida: Para você aprender com essa experiência e crescer.
Por exemplo, se você precisa desenvolver sua autoestima, é provável que você atraia todo tipo de pessoas que irão intimidá-lo, desvalorizá-lo, que serão agressivos com você, que irão se opor ao que você pensa e sente, que não reconhecerão o que você faz ou fez por elas. Essa, então, poderá ser sua oportunidade de praticar e desenvolver sua autoestima.
Sei que essa é justamente a parte mais dura de um processo terapêutico, justamente quando você se percebe nessa repetição. Inicialmente quando a repetição é inconsciente talvez você sofra menos. Mais difícil é quando já sabe as origens da repetição, quando já começou a se trabalhar, mas ainda se vê envolta nos mesmos sentimentos. Essa é a parte mais difícil de aceitar.
Mas tente pensar da seguinte forma: Você está repetindo essas experiências e sentimentos para que possa finalmente curar-se.
Você não vai conseguir curar qualquer coisa se não puder senti-la ou enxergá-la. Não podemos curar as coisas que são inconscientes! Essa sensação de desconforto tem de vir à tona para que você consiga crescer a partir disso, a partir do aprendizado.
E como você consegue crescer a partir dessas feridas?
Mais uma vez dou uma resposta simples, mas também difícil: Identificando-se com seu Eu Superior.
Lembra que falei que seu Eu Superior é aquela sua parte que conhece sua essência, sua verdade, seu valor? Pois é. Ele sabe o quanto você é inteligente, digno, capaz, poderoso, engraçado, justo, amoroso. É isso e mais ainda que seu Eu Superior sabe sobre você e ele quer (e quer muito!) que você também saiba disso.
Seu Eu Superior sabe que você é completo, é pleno. Ele também sabe que você tem defeitos (afinal, todos temos!), mas sabe que é justamente essa imperfeição que te faz humano.
Quando você se identifica com seu Eu Superior, sua compulsão por repetir os padrões do passado vão se dissipando. E, aos poucos, desaparece. Mas esse é um processo, não é um evento. Não ocorre em dias ou em meses, pode durar de meses a anos.
E por que demora? Por que tem de ser tão sofrido assim?
Outra resposta simples, mas difícil de encarar: Por que você passou anos e anos vivendo assim, repetindo essa ferida. E não é de um dia para o outro que tudo isso se dissipa. Há um processo que se inicia em tornar tudo isso consciente (o que dói), depois encarar essa realidade, trabalhar em cima dela, lutar contra as autossabotagens (pois o Eu Machucado luta ferozmente para se manter ativo e poderoso), reconhecer suas qualidades e defeitos, perceber seu valor e a capacidade de mudar de pequenas a grandes coisas… Enfim, o processo pode demorar. Mas só quem viveu um resultado concreto pode dizer o quanto vale a pena manter-se confiante.
Quando você acorda para a verdade maior do seu Eu Superior, de repente você percebe que essas pessoas “erradas” eram apenas “professores da vida real”. Eles estavam ali, não à toa, para te ensinarem a fazer as pazes com sua Criança Interior.
Sabe aquela frase “A gente cresce no amor e na dor”? Infelizmente, na maioria das vezes, a gente acaba aprendendo na dor. Mas embora seja sofrido, o ponto ao qual devemos nos apegar é justamente o aprendizado, e não a dor do processo.
Esteja certo de que seu Eu Superior está doido para que você lhe dê forças, para que ele possa te mostrar o quanto você tem valor, quem você realmente é, e o que você de fato merece.
Mas recuperar esse amor dentro de você não é um trabalho fácil. Há de se ter persistência para lutar com o Eu Machucado. Por isso sempre digo que é um processo que ocorre de dentro para fora. E não de fora para dentro. Para que isso aconteça, você precisa reconhecer em si um mínimo de valor. Só depois de um “eu mereço” é que você acabará indo em busca de auxílio para ressignificar esses padrões que, hoje, tanto te fazem mal.
Procure e persista. O resultado virá.

Psicoterapia pode ser a cura para problemas emocionais



A psicoterapia vem sendo estudada há muito tempo
A psicoterapia vem sendo estudada há muito tempo

Problemas emocionais e de relação são resolvidos com conhecimento científico da psicoterapia.

O sofrimento humano muitas vezes é menosprezado e as pessoas que sentem não sabem lidar com as dificuldades. Os sintomas podem surgir com um simples conflito, podendo ir até a transtornos psicopatológicos e crises existenciais.

Na psicoterapia a pessoa pode se desenvolver, amadurecer, se conhecer, sendo uma coisa que acontece naturalmente com cada indivíduo e que alguns sentem mais dificuldade.

A psicoterapia é constantemente utilizada no tratamento de pessoas com transtornos psicológicos, transtorno de personalidade, esquizoide, entre varias outras variações.

A psicoterapia vem sendo estudada há muito tempo, desenvolvendo resultados cada vez mais significativos. Geralmente os prazos de tratamento variam de pessoa para pessoa dependendo da gravidade do problema. Hoje a psicoterapia consegue resultados almejados em torno de 3 anos de tratamento

O possível efeito de estresse sobre o câncer

Muitas vezes recebo pacientes oncológicos que me dizem saber quando o seu câncer se iniciou. Uns mencionam a morte da mãe, outros o adoecimento do pai por Alzheimer, a perda de uma filho, um divórcio, uma aposentadoria indesejada, etc... ou seja, sempre há, anteriormente, uma perda muito sentida.

Em geral, quando o resultado histopatológico chega, há uma relação temporal entre o início da neoplasia , ou da recidiva e o fato traumático mencionado. Não podemos afirmar, porém, que uma perda importante cause necessariamente o câncer. Diversas pessoas sofrem perdas bastante dolorosas e não desenvolvem neoplasias. 

O que podemos afirmar é que uma perda importante que não tenha sido ressignificada pode ajudar o aparecimento de doenças, dentre elas o câncer. 

Ressignificar uma perda é metabolizá-la bem, aceitá-la e transpor o fato criando outros significados para ele. 

Há pessoas que se fixam em um fato e continuam a vivê-lo sem evoluir para outras etapas, não criando outros projetos, outras metas; tornam-se prisioneiros do passado.

Isso causa um estresse continuado e crônico, que mesmo não sendo sentido pela pessoa, vai minando o funcionamento do seu organismo como um todo e propiciando o aparecimento de algumas doenças. O termo "stress", cuja variação foi mencionada acima e tão usado hoje em dia, foi cunhado por Hans Seile na década de cinqüenta e quer dizer "pressão" em alemão. 

O ser humano necessita de certa quantidade de pressão para cumprir suas tarefas diárias, ser estimulado a perseguir novos objetivos e até para saciar as necessidades básicas de fome e sede. Isso é o que chamamos de estresse positivo ou EUSTRESS.

Quando, porém, uma tarefa exige uma quantidade exagerada de energia para ser desempenhada, ela tomará recursos do indivíduo que estavam alocados para outras funções. Estas, por sua vez, ficarão comprometidas. Muitos acidentes de trânsito ocorrem por esse deslocamento de energia que torna a pessoa desatenta e diminui seus reflexos. Esse é o estresse negativo ou DISTRESS. 

Ainda há os casos em que o gasto energético não é demasiado, mas muito prolongado, podendo acarretar desgaste no sistema como um todo e acarretar várias reações, todas maléficas, como, por exemplo, o adoecimento.

A Psiconeuroimunologia, ciência que explica o funcionamento sistêmico do ser, confere autenticidade a essa posição.

Para a PNI, a saúde é o equilíbrio dinâmico entre os diversos sistemas que compõem o ser. Qualquer alteração em um dos sistemas (psicológico, neurológico, endocrinológico ou imunológico), acarreta um desequilíbrio em todas a partes do indivíduo. 

A tendência posterior é a de o sistema se reequilibrar, pois possui vários mecanismos para tal. No entanto, um desequilíbrio continuado pode ser fatal, levando o sistema à falência e ensejando o aparecimento de doenças.

O estresse continuado, ocasionado por um trauma não sobrepujado, mina o sistema imunológico. Propicia, por mecanismos de retro-alimentação, o descontrole de neuro-transmissores cerebrais (entre eles a serotonina e a nor-adrenalina), causando depressão. Como sabemos, um organismo debilitado em suas defesas (especialmente carente das células Nk, matadoras naturais, que combatem células tumorais) e deprimido tem mais chances de permitir o aparecimento e o desenvolvimento de tumores.

Costuma-se dizer que as pessoas adoecem da mesma forma que vivem: se são compassivas na vida, o serão ao enfrentar as doenças; e se são assertivas, ousadas, agressiva, da mesma forma lutarão contra elas.

A posição de "vítima" de certos pacientes, mesmo após vencida a doença, também é por demais negativa, porque impede que superem o papel de "doente" e adotem o de "ter tido um câncer".

A "vítima" é sempre passiva diante do que lhe acontece. Essa atitude, que a princípio é mais confortável, a longo prazo imobiliza a pessoa, retirando-lhe qualquer sensação de controle sobre sua vida. 

Raciocínio semelhante pode ser utilizado na expectativa de recorrência de um câncer. É sempre curioso perceber que, em duas pessoas com a mesma idade e condições físicas semelhantes, a neoplasia pode evoluir de forma totalmente diferente.

Há pessoas que lidam com o diagnóstico de câncer enfrentando-o com dor, é claro, porém dentro da realidade. Elas procuram utilizar-se de todas as possibilidades que o arsenal médico e das áreas afins oferecem e, mesmo sabendo que têm uma doença potencialmente fatal, conseguem apartear a doença e continuar com as suas vidas normalmente após a alta. Acreditam na vida que pode ser vivida a partir de então. Alguns indivíduos, diante da possibilidade real de finitude, refazem seus planos de vida, mudam seus valores, tornam-se pessoas mais autênticas e vivem realmente o presente, que, afinal, é o único tempo que todos nós temos...

O medo da recidiva de um câncer é claro que pairará sempre sobre o paciente, seus familiares e amigos. Muitos, no entanto, conseguem não se paralisar com essa possibilidade e vivem uma vida com muito mais senso de sua autenticidade.

Muitas vezes, quando a doença já avançou, o medo não é propriamente da morte, mas do sofrimento, da dor, da desfiguração, da dependência. Enfim, da perda da autonomia. Para a dor a Medicina já possui recursos que aliviam sobremaneira o sofrimento. Nos dias atuais, a fase terminal de um câncer, se bem conduzida, não precisa ser terrível.

Nessa etapa, em que não há mais esperança de cura, trabalha-se unicamente pela qualidade de vida da pessoa e de sua família. Sempre há o que fazer para aliviar os sintomas e dar conforto.

Hoje estou permanentemente em contato com pacientes oncológicos que têm plena consciência de que sua doença é crônica. Sabem que não vão curar-se, mas também que a doença não é uma sentença de morte iminente.

Há cada vez mais pacientes que lutam e combatem um câncer por anos a fio e continuam vivendo tão plenamente quanto suas possibilidades permitem.

Nesse caso, a meu ver, a comunicação clara e verdadeira entre a equipe médica, paciente e familiares diminui sobremaneira o peso das dúvidas, dos segredos e dos cuidados fortuitos de poupar o paciente e a família do real estado de saúde da pessoa.

Essa sinceridade pode, às vezes, permitir que assuntos não resolvidos entre os familiares possam ser ventilados, providências legais sejam tomadas a tempo e perdões e despedidas possam ocorrer.

Em alguns casos, porém, observamos o contrário acontecer. Paciente e família imaginarem que a morte é iminente sem que seja esse o caso. Antecipam desnecessariamente a dor, o luto, a tristeza e a perda, sem aproveitar qualitativa e quantitativamente um tempo precioso com seus entes queridos.

Atualmente, já está constatado o importante papel da alegria na prevenção de processos de adoecimento. A Clinica Mayo acaba de publicar um estudo retrospectivo sobre pessoas entrevistadas há trinta anos que se dividiam entre otimistas e pessimistas. Ao longo dos anos seguintes à pesquisa, os componentes do primeiro grupo adoeceram 50% menos das mais diversas doenças, do que as que se qualificavam como pessimistas.

Podemos citar ainda um outro estudo publicado em agosto de 2002 pela Revista Câncer. Nele, além da influência do estresse na imunomodulação e, por consequinte, na ligação entre sistema imune deficiente e progressão do câncer, abriu-se uma outra senda interessante de investigação: O tumor é uma vida dentro da vida. Para se desenvolver, precisa de nutrição e mobiliza o mecanismo de angiogênese, ou seja, a formação de novos vasos. 

É através desta nova e anômala rede de vasos sanguíneos que o tumor se alimenta e permite a multiplicação infinita de suas células.

O referido estudo da Universidade de Iowa mostra que mulheres que se definiam como tendo um bom sistema de apoio social e diagnosticadas com câncer de ovário tinham uma formação de novos vasos menor, ou seja, uma melhor expectativa para a sua doença, pois menos nutrientes chegavam ao tumor.

Por fim gostaria de mencionar que a medicina hoje já tem uma expectativa tão positiva para certos tipos de câncer em crianças, adolescentes ou adultos ainda sem filhos, que tenta proteger de forma química, cirúrgica ou através da criopreservação parte das gônadas (os órgãos reprodutivos), antevendo um futuro em que a criação de uma prole seja possível.

Falar que uma mulher que teve câncer de mama está grávida já não é mais uma heresia. Tomando-se as devidas precauções, isso já faz parte da realidade.

Portanto, cabe a nós, cuidadores da equipe de saúde, ampliar a nossa compreensão desta intrincada doença e ajudar aos que nos chegam a passar com menos dor essa crise temporária e ou fatal.

A dor da perda

 ´A dor é suportável quando conseguimos
acreditar que ela terá um fim e não quando fingimos
que ela não existe.´
Allá Bozarth-Campbell

´Às vezes, quando sentimos a falta de alguém, parece que
o mundo inteiro está vazio de gente.´
Lamartine


Primeiramente, quero abordar alguns mitos sobre o luto, que dificultam uma compreensão clara a respeito dessa experiência tão humana e universal. 

 Luto e pesar são uma mesma experiência.

A vivência da perda e do luto progride de acordo com fases previsíveis e sequenciadas.

Devemos sair do luto, em lugar de encará-lo.

A partir da perda de uma pessoa amada, devemos ter como objetivo superar o luto, o mais cedo possível.


A dor expressa em lágrimas é um sinal de fraqueza

Luto e pesar são a mesma experiência?
Há diferenças fundamentais entre as duas experiências e entender essa diferença é fundamental.


Pesar : é um complexo de pensamentos e sentimentos sobre a perda, que são vivenciados internamente. Em outras palavras, é o significado interno dado à experiência do luto.

Luto: é o pesar tornado público, quando você se apodera desses sentimentos e pensamentos e os expressa e compartilha com os que o cercam. Chorar, falar sobre a pessoa que morreu ou celebrar datas especiais são apenas alguns exemplos. Mesmo que esta expressão se dê sem a presença de outras pessoas, também pode ser entendida como uma forma saudável de luto.

Há uma seqüência previsível de fases na vivência do pesar e do luto?


Não é possível falar com precisão sobre essa seqüência, embora exista a necessidade de compreender o processo e, por que não dizer? - tentar controlá-lo. A noção de fases pode até mesmo ajudar as pessoas a encontrar sentido para sua experiência de luto, mas não é possível substituir o medo e a sensação de falta de sentido, naturais em uma experiência de luto, pelas falsas certezas de que as pessoas viveriam essa experiência seguindo pelas mesmas fases. 

O conceito de fases foi popularizado com a primeira publicação, em 1969, do livro ´Sobre a Morte e o Morrer´, de Elizabeth Kubler-Ross, sem dúvida um marco na literatura sobre o assunto. No entanto, ela jamais desejou que as pessoas passassem a interpretar literalmente sua descrição de fases do morrer, como foi feito, com conseqüências desastrosas para a compreensão do processo.

A pessoa enlutada com freqüência encontra outras, na mesma situação, que adotaram um sistema de crenças rígido sobre o que deve ser experimentado nessa jornada ao longo do luto. Essas crenças podem afetar profundamente o processo individual natural. Podemos encontrar respostas de desorganização, medo, culpa, mas também podemos não encontrá-las. Ou a regressão pode ou não acontecer ou se sobrepor a qualquer outra das respostas. As emoções podem seguir-se umas às outras com intervalos curtos ou até mesmo duas ou mais emoções podem estar presentes ao mesmo tempo. 

Cada pessoa fica enlutada de sua maneira, não existindo, portanto, maneiras melhores ou piores, nem a imposição de uma seqüência rígida, que normatiza o processo. O luto é uma experiência pessoal e única, para cada pessoa.

Devemos evitar o luto, em lugar de enfrentá-lo?


Talvez como resultado dos valores prevalentes na sociedade ocidental moderna, as pessoas enlutadas são encorajadas pela sua comunidade a prematuramente deixar para trás a experiência do luto. Como resultado, temos duas situações: ou o enlutado vive seu processo isoladamente ou força-se a abandona-lo, antes de te-lo completado. Amigos e familiares, bem-intencionados mas desinformados, tentam fazer com que o enlutado desenvolva auto-controle, entendendo que essa é a resposta adequada, tornando muito difícil para o enlutado enfrentar essa mensagem poderosa, que encoraja a repressão emocional.

Com freqüência, as pessoas me perguntam quanto tempo dura o luto. Entendo que esta é uma pergunta diretamente relacionada à impaciência que nossa cultura tem com o pesar e o desejo de sair logo da experiência do luto. Um exemplo disso é a pressão que o enlutado sofre, logo após a perda, para voltar à atividade normal. Aqueles que permanecem expressando tristeza por um tempo prolongado são considerados fracos, loucos. A mensagem sutil é ´seja forte, não se deixe abater´. Ou seja: o luto passa a ser visto como alguma coisa a ser evitada e não, que precisa ser vivida. E o enlutado passa a apresentar um comportamento socialmente aceitável, que, porém, contraria sua necessidade psicológica. Mascarar ou fugir do luto causa ansiedade, confusão e depressão. Se a pessoa enlutada receber pouco ou nenhum reconhecimento social para sua dor, poderá temer que seus pensamentos e sentimentos sejam anormais, o que nem sempre ocorre. 

A partir da perda de uma pessoa amada, devemos ter como objetivo superar o luto, o mais cedo possível?

O enlutado pode ouvir alguém lhe perguntar: Você já superou sua dor? Ou, o que é pior: ´Já está na hora de você sair dessa.´ Em termos clínicos, a dimensão final do pesar é com freqüência entendida como resolução, recuperação, restabelecimento ou reorganização. Por que não pensar em reconciliação? Esta palavra pode ter um significado mais apropriado acerca do processo vivido. Não significa passar pelo luto, significa crescer por meio dele. Reconciliação é mais expressiva daquilo que ocorre, à medida que o enlutado integra essa nova realidade de se mover ao longo da vida sem a presença física da pessoa que morreu. 

A reconciliação permitirá que o enlutado tenha um senso de confiança e energia renovado, uma habilidade para reconhecer totalmente a realidade da morte, e a capacidade de se tornar envolvido novamente. O mais importante: o enlutado poderá reconhecer que, embora difícil, a dor e o pesar são partes necessárias do viver. À medida que for ocorrendo a reconciliação, o enlutado poderá se dar conta que a vida será diferente sem a presença da pessoa que morreu. Mas para isso será necessário perceber que a reconciliação é um processo, não um evento. Além da compreensão intelectual, existe a compreensão emocional e espiritual. Ou seja: além de entender na mente, vai entender no coração: a pessoa amada morreu. A dor sentida vai deixar de ser onipresente e aguda, para se transformar em um sentimento de perda que pode ser reconhecido e dá vez a um significado e um propósito renovados. O sentimento de perda não desaparece completamente, ele é atenuadoe as crises de pesar, antes intensas, tornam-se menos freqüentes e mais suaves. À medida que o enlutado começa a fazer novos envolvimentos, emerge a esperança de continuar a viver. É possível perceber que, embora a pessoa que morreu jamais virá a ser esquecida, a vida pode e deve continuar a ser vivida. Não se trata de ´superar´ o pesar. Quando o enlutado começa a mergulhar no trabalho do luto, ele irá se reconciliar com ele. 

A dor expressa em lágrimas é um sinal de fraqueza?


Muitas vezes, as lágrimas devidas a uma perda são associadas a fraqueza e inadequação pessoal. O pior que o enlutado pode fazer é permitir que este julgamento o impeça de se expressar dessa maneira. Enquanto suas lágrimas podem ocasionar um sentimento de impotência nos amigos, família e cuidadores, é preciso que ele cuide para não se deixar inibir por eles. É possível que a pessoa que está preocupada com o enlutado tente, mesmo que de maneira sutil, por desejo de protegê-lo, evitar que ele chore, para protege-lo e a si mesma, da dor da perda. Ouvem-se frases como: ´As lágrimas não o trarão de volta´ ou ´Ele não gostaria de vê-lo chorar´ . No entanto, chorar é uma maneira natural de aliviar a tensão interna e permite que seja comunicada a necessidade de ser confortado.


Mesmo com dados ainda limitados, há evidências de pesquisa que apontam que a supressão das lágrimas aumenta a suscetibilidade a distúrbios relacionados ao stress. 

Por que cada perda é única?


O que há de muito especial nos seres humanos? Cada um é único, não há dois iguais e isso se reflete nos vínculos que estabelecemos, bem como nas condições da dor pela perda daqueles que amamos.

Há alguns fatores que contribuem para a compreensão dessa experiência incomparável que é o luto.

Fator 1) A natureza da relação com a pessoa que morreu
Fator 2) Circunstâncias da morte
Fator 3) Circunstâncias do sistema de apoio do enlutado
Fator 4) A personalidade - incomparável - do enlutado
Fator 5) A personalidade - incomparável - da pessoa que morreu
Fator 6) O contexto cultural do enlutado
Fator 7) O contexto religioso e espiritual do enlutado
Fator 8) Outras crises ou situações de stress na vida do enlutado
Fator 9) Questões de gênero
Fator 10) A experiência com os rituais de luto


Quando falo na dor da perda, assim entendida, preciso citar aqui um poeta brasileiro contemporâneo, que todos vocês conhecem, Caetano Veloso, que disse:

´Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.´

Câncer? menos mal...


Certamente, todos já ouvimos alguém falar no jornalístico da televisão, em depoimento marcado por um misto de espanto e desespero, que "eu não esperava que isso pudesse acontecer comigo". Mas, como foi na tv, distante, continuamos achando o mesmo - que aquilo de ruim que aconteceu é coisa impossível de nos atingir.

Assim se dá com o câncer. Sabemos do caso do parente do vizinho, do comerciante da esquina, do artista famoso... mas não visualizamos a menor possibilidade de acontecer conosco ou com um familiar nosso.

Infelizmente, nem sempre é assim. Na maioria das vezes, é bem verdade, por conta de falta de cuidado, principalmente daqueles em cujo histórico familiar haja casos da doença e que, por isso, têm maior predisposição ao câncer. A esses, em especial, conquanto seja impossível afastarem-se de todos os fatores ambientais cancerígenos, recomenda-se que se submetam regularmente a exames preventivos, o que nem sempre é seguido.

Mister se faz também, que tenhamos em mente que determinados agentes externos que podem ser evitados são responsáveis por grande parte das incidências. Temos, por exemplo, maior quantidade de casos de câncer de pulmão entre tabagistas, de pele entre pessoas que se expõem demasiadamente ao sol, câncer de boca ligado ao excesso de bebidas alcoólicas e assim por diante. 

A supressão de hábitos nocivos, como os mencionados acima, dietas alimentares mais sadias, evitar tensões emocionais desnecessárias, dentre outros fatores, reduzem em muito os riscos de se desenvolver a doença.

É importante frisar, contudo, aos que tiverem o dissabor de contraí-la, que vai longe o tempo em que o diagnóstico de câncer era como uma sentença de morte e, embora ainda seja a segunda doença que mais mata no mundo, com cerca de seis milhões de óbitos por ano, se detectado precocemente e mediante tratamento adequado, em 90% dos casos se atinge a cura.

Ressalve-se que esses índices de sucesso atingidos atualmente não são obra do acaso, mas sim resultado de avanços tecnológicos significativos ocorridos nas últimas décadas, com o desenvolvimento de verdadeiro arsenal terapêutico anti-câncer.

São novas técnicas cirúrgicas, descoberta de dezenas de medicamentos quimioterápicos, otimização de tratamentos à base de radioterapia e, mais recentemente, a inserção da hormonioterapia no combate a determinados tipos de tumor. Esses recursos, aplicados de forma combinada ou separadamente, levando-se em conta a individualidade do diagnóstico e as condições do paciente, permitem que se trate o mal minimizando a agressão ao organismo e proporcionando o conforto e bem-estar possível em cada caso.

A contribuir também para esse bom desempenho está a presença de profissionais de diversas áreas de saúde no acompanhamento ao paciente. Atualmente, são compostas equipes multidisciplinares, envolvendo médicos de diferentes especialidades, nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, enfermeiros e assistentes sociais, entre outros, com intuito de administrar o tratamento mais correto e menos invasivo, melhorando, com isso, a qualidade de vida do paciente.

Neste contexto, um dos aspectos mais importantes é o emocional. Ao contrário do que se acreditava nos primórdios da medicina, de que o corpo e a mente seriam duas "entidades" separadas, um grande número de pesquisas recentes evidenciam, cada vez mais, a associação entre as variáveis psicológicas e a formação e o desenvolvimento de neoplasias. 

Ao estudo dessa relação interdisciplinar denominou-se Psico-Oncologia, especialidade da Psicologia de Saúde que se ocupa dos fatores psicossociais ligados à oncologia, desde a sua prevenção. É considerada hoje poderosa aliada ao tratamento médico convencional, fornecendo-lhe os subsídios indispensáveis ao enfrentamento da doença e à manutenção da dignidade do paciente e de seus familiares, mesmo nos momentos mais difíceis do processo.

As intervenções psicológicas, sejam elas através de atendimentos terapêuticos individuais ou em grupo, bem como de participação em grupos de apoio, são essenciais, pois promovem o equilíbrio emocional necessário a que o sistema imunológico reaja e auxilie o combate à doença e evitam sentimentos de frustração, animosidade, depressão e desmotivação com o tratamento, muito freqüentes em pacientes oncológicos.

Por tudo isso, está chegando o tempo de se reagir com tranqüilidade ao diagnóstico: É câncer? Então, menos mal...

terça-feira, 12 de julho de 2016

Reabilitação Funcional Pós Mastectomia

O período de recuperação de pacientes em tratamento é muito importante e varia de acordo com as características individuais, a extensão da doença e o tratamento recebido.


A prática de exercícios físicos após a cirurgia ajuda a restabelecer os movimentos e a
recuperar a força no braço e no ombro. Auxilia, também, na diminuição da dor e
da rigidez nas costas e no pescoço.

Os exercícios são cuidadosamente programados e devem ser iniciados tão
logo o médico autorize, o que costuma ocorrer um ou dois dias após a cirurgia.
Inicialmente, os exercícios são leves e podem ser feitos na cama.
Gradativamente, passam a ser mais ativos e devem ser incorporados à rotina diária.

No hospital, no dia seguinte ao da cirurgia


Mantenha o braço 20 cm afastado do corpo e a mão,
punho e cotovelo do lado operado apoiados sobre
um travesseiro, de modo a ficarem mais altos que
o ombro para evitar inchaço e diminuir a tensão.


Inicie movimentos suaves de dedos, punho, cotovelo e ombro assim
que seu médico permitir. Faça 10 séries em cada articulação, 3 vezes ao dia.
Se você fez a reconstrução, movimente tudo menos o ombro, faça também
movimentos com pé e joelhos e eleve de vez em quando o quadril.

Respiração profunda

É necessário e saudável praticar respiração profunda para aumentar a movimentação
do tórax, ajudar no relaxamento e na redução de tensões do corpo e mente:

  • Deite-se de costas, respire normalmente 3 vezes.
  • Respire profundamente enchendo os pulmões com o máximo de ar que puder. 
  • Segure o ar por alguns segundos e relaxe. 
  • Imagine suas tensões e preocupações saindo com o ar exalado. Repita 5 vezes.
  • Respire 3 vezes normalmente para finalizar.

No hospital

Você pode permanecer de 2 a 5 dias internada, período em que pode ficar
com as pernas flexionadas e elevadas no leito, conforme orientação médica.
É importante não forçar o ombro do lado operado nos primeiros dias,
mas cotovelos e mão podem ser movimentados normalmente.
Para não sentir dores nas costas, dobre e estique as pernas sempre que puder. 
Você pode levantar e abaixar o quadril mantendo os joelhos flexionados de 
forma a aliviar a pressão nas costas na cama.

Em casa

Procure fazer exercícios somente com os braços, deixando o restante do corpo relaxado.
Respire profundamente. Quando sentir algum desconforto, relaxe um pouco antes de
continuar os movimentos. Se possível faça os exercícios diante de um espelho, pois assim
você terá uma melhor visão de si mesma. Faça os exercícios duas vezes ao dia e aos poucos.
Aumente o número de repetições, começando por 5 até chegar ao máximo de 15 vezes.
Fique de pé, procure deixar a cabeça reta, os braços soltos ao lado 
do corpo. Separe os pés um pouco e procure deixá-los um ao lado 
do outro. Deixe as costas retas, alinhadas e relaxadas, encoste a 
nuca e as nádegas na parede.
Movimentos de relaxamento

Movimento pendular: em pé, próxima de uma parede, dobre seu corpo até que o braço do lado não operado encoste-se à parede com um apoio. Solte bem o outro braço e balance para frente e para trás, de um lado para outro.
Girando a cabeça: deixe os ombros e 
braços bem soltos do lado do corpo e gire 
a cabeça imaginando desenhar um círculo 
bem amplo com o topo da cabeça, para
um lado e para outro. 
Repita 3 vezes para cada lado.
Girando o ombro: em pé, deixe os 
braços soltos e gire o ombro imaginando
desenhar um círculo. Primeiro para frente
e depois para trás. 
Repita o exercício 3 vezes para cada lado.

Movimentos de abertura

Elevando o braço:
Fique em pé próximo à parede, mas não muito perto dela. 
Toque a parede com os dedos do lado operado e vá 
subindo 3 vezes, com movimento dos dedos, lentamente, 
até o ponto máximo que você conseguir, 
conte até 10 e abaixo o braço.


Abrindo o braço:

Fique em pé, coloque o braço do lado operado
voltado para a parede. Vá subindo com os 
dedos até o ponto máximo que você conseguir, 
conte até 10, e coloque o braço no ombro 
contralateral, descanse.


Alcançando a orelha oposta:
Fique em pé com as mãos ao longo do corpo. 
Coloque a mão do lado operado sobre a cabeça, 
tente alcançar a orelha do lado oposto passando 
o braço por cima da cabeça. Conte até 10, relaxe.

Alcançando as costas:
Coloque o braço nas costas. Mantendo-se reta, dobre o cotovelo, levando a mão para cima e para baixo.
Eleve os braços estendidos lateralmente até a altura dos ombros. Com a palma das mãos para cima, dobre os cotovelos tentando colocar as mãos na nuca.
Eleve o braço lateralmente com a palma da mão para baixo. Tente alcançar o ombro do lado oposto, mantendo o cotovelo na altura do nariz.
Polia:
Passe uma corda ou barbante por cima de uma barra de chuveiro, varal ou sobre a porta. Sente-se e segure as pontas com as mãos, estique-as para frente, puxe alternadamente, para cima e para baixo, ajudando a abrir o braço afetado com o braço bom. Também pode ser feito com os braços esticados ao lado do corpo.

Bastão:
Segurando o bastão em frente
ao corpo, eleve os braços até a 
altura dos ombros. 
Volte à posição inicial.
Segurando o bastão atrás do corpo, 
dobre os cotovelos lateralmente, 
levando-o até a altura da cintura, 
sem dobrar os punhos. 
Volte à posição inicial. Deixe o bastão 
sempre bem junto ao corpo.
Segurando o bastão em frente ao corpo, 
eleve os braços sem dobrar os
cotovelos, até acima da cabeça. 
Dobrando os cotovelos lateralmente,
tente colocar o bastão na nuca.


Amassando a bolinha:
Você pode ficar de pé ou deitada com os braços
elevados acima do ombro. Este exercício pode
ser feito a qualquer hora do dia.

Na posição de sua escolha, aperte uma bolinha
de borracha 20 vezes (2 vezes ao dia)
contraindo todos os músculos do braço.
Mantendo por três segundos cada contração.




Exercícios especiais
Deite-se, entrelace os dedos das mãos,
mantendo os cotovelos esticados.
Eleve os braços a partir da barriga até
o chão no alto da cabeça, pare nesta posição, respire fundo, conte até 5 e volte.
Repita 10 vezes.
Deite-se de lado com o braço operado
para cima ao longo do corpo e a mão
encostada no quadril. Levante o braço
até tocar o chão acima de sua cabeça.
Pare com a mão nesta posição,
conte até 5 e volte. Repita 10 vezes.



Atividades da vida cotidiana


Higiene:
Pentear os cabelos ajuda muito na 
recuperação. No começo, se este 
movimento, for difícil, faça-o sentada, 
apoiando o cotovelo em uma mesa, 
para aliviar o peso do braço. 
Com o tempo faça sem o apoio.

Vestuário:

Comece sempre vestindo uma blusa
ou camiseta pelo lado operado, tendo
o outro braço como ajudante.
Para despir, deixe o braço do lado
operado por último.
Procure carregar a bolsa do lado que
não foi operado.
É importante não carregar muito peso.


Atividades domésticas:

Ao lavar e pendurar roupas, 
comece com as peças leves como meias, 
lenços e calcinhas, aumentando o volume 
aos poucos,mas fazendo tudo sem pressa 
e com atenção.

Ao passar roupas, faça com o lado 
operado com muito cuidado para não 
se queimar. Se o braço cansar, pare e descanse.



Trabalho e lazer:

Os trabalhos manuais podem ser realizados 
desde que os braços sejam movimentados a
 cada 20 minutos para que relaxem.



Esporte:

Com a movimentação do ombro normalizada, pratique alguns esportes como hidroginástica, natação, yoga, danças de salão e ginástica. Todos com intensidade moderada.

Cuidando das Emoções - Adaptando-se às Mudanças

Adaptando-se às Mudanças


No período entre o diagnóstico do câncer e durante todo o tratamento, pode ser que você tenha uma série de adaptações para fazer e vivenciar.
É muito comum, durante o tratamento de um câncer, o paciente precisar parar de trabalhar por um período. Essa mudança pode influenciar em todos os aspectos da vida: financeiro, social, familiar, pessoal.
Isso requer uma grande adaptação de todos os envolvidos.
Vamos pensar juntos...
No nosso dia-a-dia exercemos várias funções:
  • De pai ou de mãe.
  • De marido ou de esposa.
  • De provedor ou de dona de casa, provedora.
  • De funcionário, funcionária ou de chefe.
  • De filho ou filha.
  • De amigo ou amiga.
  • E muitas outras.
Por conta disso, regras são estabelecidas:
  • Você faz isso.
  • Você paga isso.
  • Eu levo as crianças na escola.
  • Eu faço as compras e vou ao banco.
E, normalmente, diante de uma doença (uma situação crítica) todas essas funções e regras precisam ser revistas e rearranjadas e isso não é fácil!
Casais podem se desentender, filhos e pais brigam por causa de novas tarefas, amigos se afastam e outros se aproximam. O que pode ajudar?
  • Converse com sua esposa ou marido sobre as mudanças no casamento, vida sexual, dinheiro, filhos e outras decisões que precisam ser acertadas.
  • Converse com a sua família sobre as mudanças e novas funções.
  • Se alguém estiver sobrecarregado, peça ajuda a um amigo, pode parecer que não, mas você vai saber reconhecer qual o amigo disponível.
  • Peça ajuda e aceite ajuda, seja para buscar o filho na escola, pagar uma conta, fazer o supermercado, etc.
  • Caso você não consiga se adaptar as mudanças, procure a ajuda de um profissional psicólogo. Ele poderá te ajudar nesse momento.


Conheça os diferentes profissionais


Além de todo cuidado dispensado pelo seu médico oncologista, você também pode contar com o apoio da equipe multidisciplinar de profissionais especializados nas diversas áreas da saúde. Saiba como cada um deles poderá lhe ajudar neste momento:

Enfermeira
A enfermagem oncológica desempenha um papel muito importante dentro da equipe multiprofissional de saúde. O enfermeiro é o profissional que permanece ao lado do paciente em todos os momentos, o que o torna parte essencial do tratamento. A enfermagem oncológica tem como principal objetivo promover qualidade de vida do paciente assim como a de seus familiares, avaliando e intervindo tanto nos problemas relacionados à saúde física como na saúde mental.
Psicóloga
Sabemos que o diagnóstico de câncer abala o lado emocional de qualquer pessoa. Sentimentos antes nunca vivenciados como: depressão, ansiedade, medos, preocupações são comuns e, muitas vezes, precisam de cuidado especiais. Para cuidar desses assuntos é com ajuda do psicólogo que você poderá contar. Dentro da Psicologia existe o profissional certificado em Psico-Oncologia, que tem como objetivo apoiar emocionalmente o paciente e sua família.
Outras formas de terapia que podem lhe ajudar neste momento são: Arteterapia, Musicoterapia e os Grupos de Suporte.
Nutricionista
O nutricionista é o profissional que irá cuidar da sua alimentação. Ele poderá lhe acompanhar durante e após todo o seu tratamento.
Com o trabalho focado em uma alimentação equilibrada e saudável, o nutricionista irá lhe ajudar a diminuir os efeitos colaterais do tratamento através de cardápios individualizados, podendo inclusive aumentar a imunidade de seu organismo, dando mais qualidade de vida para você.
Fisioterapeuta
O fisioterapeuta exerce um papel fundamental durante e após o tratamento oncológico. Ele é o profissional responsável por promover a sua recuperação físico-funcional, ou seja, ele irá lhe auxiliar na restauração dos movimentos e funções comprometidas durante e após a doença. Por meio do trabalho personalizado e o uso de recursos específicos, a fisioterapia tem por objetivo aumentar a sua auto-estima e a sua qualidade de vida.
Dentista
Você sabia que a avaliação odontológica é fundamental antes de iniciar o tratamento quimioterápico ou radioterápico?
É muito importante que todo o paciente visite antecipadamente o seu dentista a fim de eliminar focos de infecção, prevenindo possíveis complicações durante o tratamento.

Conversando sobre prevenção do câncer com seus familiares


Conversar sobre o câncer com os seus familiares pode, na maioria das vezes, ser uma missão difícil, afinal como podemos abordar esse tipo de assunto com eles? É muito importante que você saiba que o câncer é uma doença causada por exposição a fatores de risco como cigarro, álcool, radiação, etc e por uma alteração nos genes, ou seja, modificações nas células que provocam uma sequência de eventos nas próprias células e no órgão ao qual pertencem o que acaba originando o aparecimento de um tumor maligno, mas isso não significa que o câncer seja hereditário. Apenas 5 e 10% de todos os casos de câncer derivam de alteração genética hereditária, ou seja, transmissível de pai (mãe) para filho(a).

Os casos de câncer precoce (em pacientes abaixo de 50 anos) merecem uma maior preocupação. Diante dessa situação, é muito importante que o paciente converse com o médico quanto ao risco de se tratar de um câncer hereditário. A decisão quanto à necessidade de se fazer testes genéticos devem ser tomada em conjunto com o oncologista ou por um profissional especializado em aconselhamento genético.
A prevenção nesses casos continua sendo os exames de rotina: mamografia, auto-exame, exame clínico, PSA, toque retal, endoscopia, entre outros. O médico poderá orientar a partir de que idade será necessária a realização desses exames.

Estou deprimido ou não?


Depressão é uma desordem psiquiátrica muito mais frequente do que se imagina. Estudos mostram que de 10% a 25% das pessoas que procuram os clínicos gerais apresentam sintomas dessa enfermidade. 

Entre os fatores de risco para a depressão estão descritos os seguintes itens: 
  • História familiar de depressão.
  • Sexo feminino.
  • Idade avançada.
  • Episódios anteriores de depressão.
  • Parto recente.
  • Acontecimentos estressantes.
  • Dependência de droga.
Sim, o câncer é um acontecimento estressante e você pode realmente estar com depressão.
Converse com o seu médico ou procure um psiquiatra.
O psiquiatra fará uma avaliação do seu quadro físico e psicológico e poderá lhe dizer se você está ou não deprimido. Se você estiver, ele lhe prescreverá um medicamento antidepressivo e pode sugerir que você faça também um acompanhamento psicológico.
Entre os pacientes com câncer pode acontecer uma sobreposição de sintomas e uma possível depressão pode não ser detectada. Ou seja, você pode estar mais quieto, com muita fadiga e com algumas alterações cognitivas relacionadas aos efeitos colaterais do tratamento ou da própria doença.
Para caracterizar o diagnóstico de depressão, foi criada a tabela abaixo. Nela, cinco ou mais, dos sintomas relacionados devem estar presentes. Dentre eles, um é obrigatório: estado deprimido ou falta de motivação para as tarefas diárias, há pelo menos duas semanas.

Critérios para diagnóstico de depressão
(Segundo o DSM-IV, Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4ª edição)
  • Estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo.
  • Anedônia: interesse diminuído ou perda de prazer para realizar as atividades de rotina.
  • Sensação de inutilidade ou culpa excessiva.
  • Dificuldade de concentração: habilidade frequentemente diminuída para pensar e concentrar.
  • Fadiga ou perda de energia.
  • Distúrbios do sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias.
  • Problemas psicomotores: agitação ou retardo psicomotor.
  • Perda ou ganho significativo de peso, na ausência de regime alimentar.
  • Idéias recorrentes de morte ou suicídio.
Como você pode ver, os sintomas são muito parecidos com os efeitos colaterais da quimioterapia e radioterapia e também com as reações emocionais esperadas diante do diagnóstico de um câncer.
Buscando Ajuda
Você ainda possui dúvidas? Não se preocupe, aqui estão algumas orientações:
  • Converse com o seu médico sobre depressão. Ele saberá orientar a respeito desse problema.
  • Peça ao seu médico a indicação de um especialista (psiquiatra). Ele poderá decidir se você está precisando de um medicamento ou não neste momento.
  • Peça a ajuda da sua família, eles são fundamentais no seu tratamento.
  • Informe-se sobre o problema. Você verá o quanto ele é comum.
  • Lembre-se que o acompanhamento psicológico é fundamental.

Câncer e trabalho: adaptações necessárias


Considerando que o câncer é uma doença que afeta todos os aspectos da vida, conversar e avaliar a importância do trabalho neste momento é muito importante.
Hoje em dia, com os avanços da medicina cada vez mais focados na qualidade de vida dos pacientes com câncer, podemos dizer que os pacientes já podem escolher entre continuar ou não trabalhando durante o tratamento do câncer.
Existem pacientes que por questões financeiras, precisam continuar trabalhando, outros, por sentirem-se bem e dispostos, também optam por continuar. Já outros, por indisponibilidade física, acabam decidindo pelo afastamento do trabalho temporário. Estas decisões e atitudes variam muito de paciente para paciente e de caso a caso. Independentemente de sua decisão, o importante é que você tenha consciência de que algumas adaptações e mudanças na sua rotina serão necessárias.
Especificamente durante a quimioterapia, existirão dias em que você estará disposto e outros nem tanto. Os efeitos colaterais do tratamento existem e nem sempre são evitáveis e por isso, você pode se sentir indisposto precisando de um tempo para descansar. É aconselhável que você converse com seu chefe e com seus companheiros de trabalho sobre o câncer. Assim, eles poderão lhe ajudar da melhor maneira possível nessa fase. Sabemos que falar sobre o câncer no ambiente de trabalho pode ser, na maioria das vezes, estranho e difícil. Você pode contar somente a alguns amigos mais próximos ou mesmo não contar pra ninguém. Neste caso, não existe uma atitude ideal e sim, atitudes que fazem com que você se sinta a vontade e confortável.
Lembre-se que estamos falando de uma fase onde pedir e saber aceitar ajuda são fundamentais.

A importância da informação

Hoje em dia a informação é considerada por muitos pacientes uma aliada fundamental e imprescindível em todos os momentos após o diagnóstico de um câncer.

As fontes de informação são variadas e podem ser utilizadas em diferentes situações: o seu médico, a equipe de suporte multidisciplinar, outros pacientes e familiares, sites na internet e livros.
Manter-se informado é fundamental para que você possa tomar todas as suas decisões, conversar sobre seu tratamento e sobre os efeitos colaterais e, até mesmo, questionar quando não conseguir entender. Porém, é importante destacar que existem pacientes que preferem não se aprofundar nas informações sobre o câncer e tratamentos. Nesta situação, não há certo ou errado, o importante é cada um respeitar seus próprios limites.
O seu médico é uma importante fonte de informação. Pergunte a ele tudo que achar necessário e questione sempre que não compreender.
O que eu posso fazer para me manter informado?
  • Ler.
  • Pesquisar.
  • Navegar na internet (peça para o seu médico lhe indicar sites confiáveis).
  • Conversar com outros pacientes.
  • Conversar com o seu médico.
Acredite! A informação fará com que você se sinta mais seguro e mais preparado para enfrentar esta nova fase da sua vida.

Compreendendo seus sentimentos


Perdi o meu chão...
Chorei muito...
Não tenho mais vontade de fazer nada...
Estou com medo...
Você se reconhece nas frases acima?
Independente de se reconhecer ou não, o que importa é você parar um pouquinho para compreender o que pode estar acontecendo com você.
Sabemos que essas e outras frases são muito frequentes entre os pacientes que recebem o diagnóstico de um câncer. Ou seja, o câncer tem um forte impacto no psicológico e emocional do paciente.
Sentimentos como raiva, depressão, ansiedade, medo, preocupações, angustias, negação e agressividade são comuns entre os pacientes com câncer.
Seguem alguns exemplos de situações nos quais esses sentimentos podem aparecer:
A negação costuma estar mais relacionada ao momento do diagnóstico. É comum percebermos durante certo tempo que o paciente não quer/não pode acreditar no que está vivendo. Esse sentimento pode durar algumas semanas.
Já a raiva, que pode aparecer em qualquer fase do tratamento, muitas vezes, vem acompanhada pela pergunta: Por que eu? Por que comigo? O que eu fiz de errado? Neste momento, a vida pode parecer muito injusta. Pacientes costumam rever suas posturas religiosas e alguns até relatam que estão brigados com Deus.
Comumente a insegurança é relatada durante todo o tratamento ("ela me acompanha o tempo todo”). Podemos relacionar esse sentimento com a presença do tumor que de certa forma é uma ameaça desconhecida. Tudo que é desconhecido sempre assusta muito.
O sentimento de resignação ("tinha que ser assim mesmo”) também é muito comum e precisa ser monitorado. Afinal, pode se tornar uma depressão.
Pensamentos e sentimentos negativos ("Penso muito na morte”, "tenho sentido medo de sair de casa”) também são esperados e podem estar relacionados ao estresse gerado pelo diagnóstico do câncer e também por se tratar de uma situação a qual não podemos controlar e ter certeza do que vai acontecer.
A aceitação da doença é um passo importante. A partir desse momento, percebemos que o paciente é capaz de planejar a própria vida de um modo mais significativo e construtivo. Eles relatam que a vida presente está muito diferente que a vida passada, e preferem não pensar no futuro.
Pode parecer estranho, mas muitos pacientes narram que o câncer fez com que avaliassem as próprias vidas posicionando-as em um caminho mais positivo.
Infelizmente não existem regras para lhe ensinar a lidar com esses sentimentos.
Como você pode ver, os sentimentos são muitos e variados. E mais, cada pessoa reage de uma maneira. Importante: não há certo ou errado, mas há aquilo que lhe faz bem ou mal, que lhe ajuda ou atrapalha...
Que tal parar para pensar nestes pontos:
Como você esta reagindo diante da sua doença?
Você tem alguém para desabafar?
Você tem colocado pra fora os seus sentimentos?
E a sua religião, como está?
Será que você tem descontado a sua raiva em alguém?
Procure um psicólogo, ele é um profissional capacitado para te ajudar a compreender e lidar com todos esses sentimentos.

Esperança: uma grande aliada!


Recupere ou construa algo que ajude a fortalecer a sua esperança
Você pode encontrar alguém em um grupo de apoio, em seu local de trabalho, em sua igreja, em sua família, ou em sua vizinhança, que seja forte, positivo e saiba espalhar esperança a todos que o cercam. Converse com seu mentor espiritual e absorva suas atitudes e palavras encorajadoras.
Observe em sua vida, onde estão os amigos, as pessoas guerreiras, parceiros religiosos, organizadores que foram deixadas de lado enquanto você estava em tratamento. Traga-as de volta e coloque-as para "trabalhar” a favor da esperança. Eles podem pedir, ouvir, aconselhar, participar e fortalecer suas refeições ou passeios, ajudar na limpeza da sua casa, cuidar de suas crianças, ou vir apenas para uma boa conversa ou somente segurar sua mão. Não tenha medo de pedir apoio às pessoas esperançosas. Se você estiver em tratamento, por favor, pare de ser a super mulher ou o super homem!
Descreva minuciosamente seus desejos e vontades
Inicie fazendo anotações das pequenas coisas agradáveis do seu dia a dia que levantam seu ânimo. Anote todas as experiências que o animam, incentivam ou lhe dão novas esperanças. Por exemplo: "Enquanto eu estava em tratamento, fazia caminhadas suaves, observava os pássaros, as flores, a brisa suave, anotava em meu livro de agradecimentos”. Mais tarde, ao reler essas anotações você se sentirá enaltecida.
Fale sobre o assunto
O câncer é traumático para a maioria das pessoas, mas estando em um grupo de apoio ou com os amigos ou, talvez, em família, fale sobre seus sentimentos. Discuta-os e, se for possível, foque no futuro. Cuidado para não manter um elefante em sua sala, pois ninguém poderá passar, nem você.
Foque no amanhã
Se você olhar para o horizonte de tratamentos ou cirurgias que vem pela frente, e isso é tudo o que você está vendo, então você vai achar que é difícil desfrutar o hoje. Tente pensar que esta é somente uma das experiências difíceis da vida que todos nós temos que passar de um jeito ou de outro. Respire fundo e vá em frente, vai passar.
Comece a preparar o seu livro de memórias
Reflita sobre os eventos, comemorações ou férias que foram experiências positivas. Mexer nas fotos ou nos cartões postais é muitas vezes uma maneira para se lembrar de momentos especiais e que vão fazer você se emocionar, rir e por que não chorar... Se você estiver se sentindo melancólico, mergulhe nas memórias positivas e deixe-se invadir pelos sentimentos e lembranças deste agradável evento e novamente foque na esperança, que depende muito de você.
Conte-nos quais são suas estratégias e atitudes para manter a esperança
Se você é um paciente ou sobrevivente, você já enfrentou e enfrenta no seu dia-a-dia algumas situações nas quais precisa ter atitude e focar na esperança. Como você faz isso? O que te ajuda? O que faz a diferença na sua vida e lhe ajuda realmente a manter a esperança?

Como falar sobre o câncer com o meu filho?


Diante do diagnóstico do câncer, inúmeras modificações e adaptações na rotina deverão ser feitas por toda a família. Conversar com uma criança ou adolescente a respeito do câncer não é uma tarefa fácil. Alguns pais preferem contar, outros não. É importante lembrar que as crianças e/ou adolescentes têm todo o direito de saber quando alguém de sua família está doente e precisando de ajuda. Elas têm as suas antenas ligadas e conseguem perceber quando algo não está bem.
Quando a verdade lhe é omitida, o seu filho poderá se sentir isolado, preocupado e com medo, excluído das questões familiares. A partir do momento em que seus filhos estão cientes da verdade, eles terão a chance de lhe fazer perguntas sempre que surgirem dúvidas e poderão ser confortados quando sentirem medo. Abaixo selecionamos algumas dicas para você:
  • Se possível, escolha um momento ideal e um lugar tranquilo para conversar com os seus filhos.
  • Explique de maneira simples e verdadeira.
  • Use linguagem simples e adequada, escolhendo palavras que já façam parte do vocabulário deles.
  • Responda a suas questões a medida que elas forem surgindo. Seja honesto (a) com relação aquilo que você não sabe.
  • Procure não distorcer a verdade, com intenção de evitar perguntas difíceis ou embaraçosas. Se ele lhe fizer uma pergunta que você não saiba responder, diga: Não sei, mas podemos tentar descobrir a resposta juntos.
  • Expressar uma atitude de confiança e esperança a respeito da doença e seus tratamentos ajudará a criança a desenvolver essa atitude em si mesma, além de fazê-la sentir-se mais segura e apoiada.

E após o câncer: orientações que fazem a diferença


Após o tratamento do câncer, a vida ganha um sentido diferente. Raramente ela voltará a ser como era antes.
Agora que você já terminou todas as etapas do tratamento, começa uma nova fase. Uma fase de cuidados, não apenas físicos, mas também psicológicos.
Abaixo descrevemos algumas orientações que podem lhe ajudar nessa nova etapa:
  • Saiba que após o diagnóstico de um câncer você jamais se sentirá o mesmo. Cuidados com a sua saúde física e mental deverão ser seguidos de forma diferenciada.
  • Converse com o seu médico oncologista a respeito da doença e da frequência de seus exames. Como será a nova rotina de exames? Quantas vezes passará em consulta?
  • Alguns pacientes relatam que se sentem preocupados e com medo de realizarem os exames de rotina. Se esse for o seu caso, lembre-se que esses exames são fundamentais para o acompanhamento da doença.
  • O medo do retorno do câncer, ter receio, temor, preocupação que o câncer volte é comum entre os pacientes que já passaram por todo o tratamento assim como sentimentos de ansiedade, depressão e outras preocupações podem impedir que você leve uma vida normal. No entanto, é importante que você saiba lidar da melhor maneira possível com esse medo. O receio, temor, ansiedade em excesso poderá lhe prejudicar. Fique atenta a este fato e se necessário, busque ajuda especializada.
  • Mantenha uma alimentação equilibrada: Procure se alimentar de forma correta todos os dias. Invista em frutas, legumes, vegetais e grãos. Sempre que possível, diminua o consumo da carne vermelha.
  • Adote um estilo de vida ativo: pratique atividades físicas moderadas como caminhada, natação, ioga e hidroginástica. Converse com o seu médico antes de iniciar qualquer exercício.


Conversando sobre prevenção do câncer com seus familiares


Conversar sobre o câncer com os seus familiares pode, na maioria das vezes, ser uma missão difícil, afinal como podemos abordar esse tipo de assunto com eles? É muito importante que você saiba que o câncer é uma doença causada por exposição a fatores de risco como cigarro, álcool, radiação, etc e por uma alteração nos genes, ou seja, modificações nas células que provocam uma sequência de eventos nas próprias células e no órgão ao qual pertencem o que acaba originando o aparecimento de um tumor maligno, mas isso não significa que o câncer seja hereditário. Apenas 5 e 10% de todos os casos de câncer derivam de alteração genética hereditária, ou seja, transmissível de pai (mãe) para filho(a).
Os casos de câncer precoce (em pacientes abaixo de 50 anos) merecem uma maior preocupação. Diante dessa situação, é muito importante que o paciente converse com o médico quanto ao risco de se tratar de um câncer hereditário. A decisão quanto à necessidade de se fazer testes genéticos devem ser tomada em conjunto com o oncologista ou por um profissional especializado em aconselhamento genético.
A prevenção nesses casos continua sendo os exames de rotina: mamografia, auto-exame, exame clínico, PSA, toque retal, endoscopia, entre outros. O médico poderá orientar a partir de que idade será necessária a realização desses exames.