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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O que são linfonodos?

Os linfonodos são estruturas ovóides, pequenas e encapsuladas, localizadas no caminho dos vasos linfáticos. Usualmente medem de poucos milímetros a 1,0cm.
Os linfonodos fazem parte do nosso sistema imune e atuam como filtros da linfa. Têm a capacidade de reter (algumas vezes destruir), ou pelo menos retardar, a difusão de bactérias, vírus, protozoários e cânceres pelo organismo.
Fazem parte do nosso sistema imunológico (linfóide), além dos linfonodos, o baço, timo, amígdalas e intestinos.

Há linfonodos em diversos locais do corpo:
nuca, pescoço, submandibular, na frente e atrás das orelhas, supraclaviculares, na frente dos cotovelos, nas axilas, nas virilhas e atrás dos joelhos, dentro de alguns órgãos, como mamas, pulmões, intestinos, e dentro do tórax e abdome.
Ao se avaliar um linfonodo, é importante saber:
  • localização;
  • tamanho;
  • consistência;
  • mobilidade;
  • presença de dor;
  • presença de drenagem de secreção;
  • tempo de evolução.
Há várias causas para o aumento de linfonodos (ínguas):
  • infecções;
  • hipersensibilidade;
  • cânceres;
  • doenças reumatológicas;
  • outras.
Na presença de aumento de linfonodos (ínguas), que persistam por mais de duas semanas, com crescimento progressivo, dor ou saída de secreção, é importante consultar um médico clínico geral. Algumas vezes será necessária a realização de uma biópsia para elucidar a doença que levou à linfonodomegalia.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Ser VOLUNTÁRIO é Ser Humano!


O voluntariado é uma oportunidade excepcional para a prática do bem e da solidariedade.

Ser voluntário é muito mais que oferecer uma parte de seu tempo, é muito mais que olhar para a necessidade do outro, muito mais que fazer parte de uma maravilhosa corrente, muito mais que colocar o seu entendimento e experiência em benefício do todo, vai além das expectativas do ser humano e o coloca em destaque, tanto para quem doa, tanto para quem recebe.

O voluntário é um guerreiro silencioso que não busca fama, dinheiro ou oportunidade de riquezas, apenas dá o que tem de melhor. A visão do voluntário é ampla e bela, pois tem um alcance infinitamente maior sobre o que acontece ao seu redor e se integra a estas condições sempre com muita entrega e determinação.

Uma frase que ouvimos constantemente é: 
“Gostaria tanto de ajudar, mas não sei como.”

É muito fácil! Somente basta desejo de ajudar, aliado ao comprometimento com a causa.

Ser voluntário é Ser Humano…

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Tipos de Biópsias para o Diagnóstico do Câncer de Mama


Biópsia é a remoção de uma pequena quantidade de tecido para avaliação anatomopatológica da presença (ou não) de câncer. A amostra removida durante a biópsia é analisada por um patologista, médico especializado na interpretação de exames laboratoriais e avaliação de células, tecidos e órgãos para diagnosticar a doença. Se células cancerosas estão presentes, o patologista determinará o tipo de câncer de mama a que corresponde.

Existem vários tipos de biópsias, como biópsia de aspiração por agulha fina, biópsia por agulha grossa e biópsia cirúrgica, cada uma com seus prós e contras. A escolha do tipo de biópsia depende da sua situação específica. Alguns dos fatores que o médico irá considerar incluem tipo de lesão, tamanho, localização, quantidade de tumores e outros problemas clínicos e preferências pessoais da paciente.

Os principais tipos de biópsias para diagnóstico do câncer de mama são:

  • Punção Aspirativa por Agulha Fina

A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) consiste na remoção de uma amostra de células do tecido mamário alterado, para exame. A PAAF é um procedimento rápido e pode ser realizado com anestésico local, embora normalmente não seja necessário. Na PAAF é utilizada uma agulha de calibre 20/21G acoplada a uma seringa para aspiração. O posicionamento da agulha é comumente guiado por ultrassom. A coleta do material é realizada com movimentos de vai-e-vem da seringa. O procedimento descrito poderá ser repetido diversas vezes, até que se obtenha quantidade suficiente de material, que posteriormente será colocado em lâminas. O material obtido é submetido à análise citológica. Um pequeno curativo será colocado sobre a região puncionada.

Punção aspirativa por agulha fina
  • Biópsia por Agulha Grossa (Core Biopsy)

A biópsia de fragmento com agulha (BFA) ou core biopsy consiste na retirada de fragmentos de tecido, com uma agulha de calibre um pouco mais grosso que da PAAF, acoplada a uma pistola especial. O posicionamento da agulha de biópsia poderá ser guiado por mamografia digital estereotáxica ou ultrassom. 

O procedimento é realizado com anestesia local e geralmente se retiram vários fragmentos de alguns milímetros. Esse procedimento permite visualizar na tela do equipamento de imagem, em tempo real, a área a ser biopsiada, a agulha, e o seu trajeto até a região da alteração, além da quantidade de tecido que ainda deverá ser retirada. Após localização da área a ser biopsiada é feita assepsia da pele e, em seguida, o trajeto da agulha de biópsia será anestesiado. Posteriormente é realizada uma pequena incisão na pele com bisturi, para facilitar a introdução da agulha de biópsia. Os fragmentos são obtidos por movimentos da agulha dentro da lesão, a cada incursão, a agulha será retirada e o fragmento colhido em um frasco. Esse procedimento é repetido várias vezes, até que se obtenha quantidade suficiente de tecido para análise. 

Ao término do procedimento será feita a compressão local, a fim de evitar sangramento da área biopsiada e será feita a aproximação das bordas da incisão com um curativo compressivo. Este procedimento não necessita internação, a paciente deve retornar no dia seguinte para trocar o curativo.

Core biopsy
  • Biópsia Assistida a Vácuo (Mamotomia)

A mamotomia consiste na retirada de fragmentos de tecido, utilizando uma agulha mais grossa, que a core biopsy que por sua vez está acoplada a um sistema a vácuo. A agulha tem corte rotatório conectado a uma cânula que permite a sucção do tecido mamário. O procedimento pode ser guiado por ultrassom ou mamografia.
 
A grande vantagem dessa técnica dá-se pela melhor capacidade do estudo de microcalcificações, densidades assimétricas e distorções, somente caracterizadas pela mamografia e com elevado índice de erro na core biopsy. Outras vantagens da mamotomia incluem: inserção única da agulha com único disparo, colocação de clipe metálico marcador para abordagens futuras e melhor controle da região e obtenção de fragmentos contíguos com maiores dimensões da lesão, resultando em menor número de resultados subestimados.
 
Similar a core biopsy a área a ser biopsiada, a sonda de biópsia e o seu trajeto até a alteração, além da quantidade de tecido que ainda deverá ser retirada são localizados na tela do equipamento de imagem utilizado. Durante o procedimento a sonda permanece no mesmo local até a retirada de quantidade suficiente de material, que é colocado em um frasco com formol e encaminhado ao laboratório de patologia. Em alguns casos, antes da retirada da sonda do local da biópsia, pode ser colocado um clipe marcador, de titânio, que servirá de guia para uma eventual intervenção cirúrgica, ou simplesmente para orientar os futuros controles mamográficos.
 
Terminado o procedimento será feita a compressão da região a fim de evitar sangramento da área biopsiada, em seguida é feita a aproximação das bordas da incisão com um curativo compressivo.
 
Embora o objetivo da mamotomia seja o diagnóstico, em parte dos casos, consegue-se a retirada total da lesão, porém isso não é necessário para que se obtenha o diagnóstico. Se a alteração for identificada como maligna, a precocidade do diagnóstico e a identificação do tipo de tumor pela mamotomia darão ao seu médico a oportunidade de adotar condutas, que podem incluir a cirurgia e outras formas de tratamento, com dados mais objetivos em mãos.  Nestes casos, mesmo que toda a lesão tenha sido retirada na mamotomia, haverá a necessidade de se retirar uma quantidade maior de tecido, por meio de cirurgia. 

  • Biópsia Cirúrgica

É realizada no centro cirúrgico durante o ato cirúrgico e tem a grande vantagem de poder se fazer a biópsia por congelamento durante o procedimento o que permite dar ao cirurgião as margens de segurança. Se a margem ainda tiver doença o cirurgião avança um pouco mais e o congelamento se repete até que as margens cirúrgicas estejam livres de doença.

  • Biópsia do Linfonodo

Se os linfonodos axilares estão aumentados, eles serão verificados para a disseminação da doença. Mesmo se os linfonodos não se encontrem alterados, os gânglios linfáticos axilares geralmente são investigados para metástases, no momento da cirurgia para retirada do tumor mamário. Isto é realizado com a biópsia do linfonodo sentinela ou dissecção dos linfonodos axilares.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Entenda o que é Câncer Metastático

O que é câncer metastático?

Tumor metastático é aquele que se espalhou a partir do lugar onde se iniciou 
para outro local do corpo. Um tumor formado por células cancerígenas metastáticas 
é denominado tumor metastático ou metástase. 
O processo pelo qual as células cancerígenas se espalham para outras partes 
do corpo é também chamado de metástase.
O tumor metastático tem o mesmo nome e o mesmo tipo de células cancerígenas 
do tumor primário onde se originou. Por exemplo, o câncer de mama que se dissemina 
para o pulmão formando um tumor metastático é o câncer de mama metastático e não 
um câncer de pulmão.
Sob um microscópio, as células cancerígenas metastáticas geralmente têm a mesma 
aparência das células do câncer de origem. Além disso, as células metastáticas e as 
células do tumor primário geralmente têm algumas características moleculares em 
comum, como a expressão de determinadas proteínas ou a presença de alterações 
cromossômicas específicas.
Embora alguns tipos de câncer metastático possam ser curados com os tratamentos 
atuais, a maioria não tem cura. No entanto, os tratamentos estão disponíveis para todos 
os pacientes com câncer metastático. Em geral, o principal objetivo destes tratamentos 
é controlar o desenvolvimento da doença ou aliviar os sintomas causados pela metástase. 
Em alguns casos, os tratamentos do câncer metastático podem ajudar a prolongar a 
sobrevida. No entanto, a maioria das pessoas que morrem de câncer é devido à doença 
metastática.

Qualquer tipo de câncer pode se tornar um tumor metastático?

Praticamente todos os tipos de câncer, incluindo os cânceres do sangue e do 
sistema linfático (leucemia, mieloma múltiplo e linfoma), podem formar tumores 
metastáticos. Embora raro, a metástase dos cânceres do sangue e do sistema 
linfático para o pulmão, coração, sistema nervoso central e outros tecidos tem 
sido relatadas.

Quais os locais para onde o câncer pode se disseminar?
Os locais mais comuns de metástases são: osso, fígado e pulmão. 
Embora a maioria dos cânceres tenha a capacidade de se espalhar para diferentes 
partes do corpo, eles tendem a de disseminar com mais frequência para um local 
mais do que para outros. 
A tabela a seguir mostra os locais mais comuns de metástase, 
excluindo os gânglios linfáticos, para vários tipos de câncer:

Tipo de câncerPrincipais Locais de Metástases*
BexigaFígado, Osso, Pulmão
MamaCérebro, Fígado, Osso, Pulmão
ColorretalFígado, Peritônio, Pulmão
RimCérebro, Fígado, Glândula Adrenal, Osso, Pulmão
PulmãoCérebro, Fígado, Glândula Adrenal, Osso, Pulmão
MelanomaCérebro, Fígado, Osso, Pele/Músculo, Pulmão
OvárioFígado, Peritônio, Pulmão
PâncreasFígado, Peritônio, Pulmão
PróstataFígado, Glândula Adrenal, Osso, Pulmão
EstômagoFígado, Peritônio, Pulmão
TireoideFígado, Osso, Pulmão
ÚteroFígado, Osso, Peritônio, Pulmão, Vagina
                    * Em ordem alfabética


Como o câncer se espalha?

A metástase de células cancerígenas envolve geralmente os seguintes passos:

Metástase local - As células cancerígenas invadem o tecido normal adjacente.

Intravasamento - As células cancerígenas invadem e passam através das
paredes dos vasos sanguíneos ou vasos linfáticos próximos.

Circulação - As células cancerígenas se movem através do sistema linfático 
e circulação sanguínea para outras partes do corpo.

Extravasamento - As células cancerígenas param de se mover em 
pequenos vasos sanguíneos denominados capilares. 
Elas invadem as paredes dos capilares e migram para o tecido adjacente.

Proliferação - As células cancerígenas se multiplicam num local distante
para formar pequenos tumores conhecidos como micrometástases.

Angiogênese - Micrometástases estimulam o crescimento de novos vasos 
sanguíneos para obter fornecimento de sangue. O suprimento de sangue é necessário 
para obter oxigênio e nutrientes necessários para o crescimento continuado do tumor.

Como os cânceres do sistema linfático ou do sangue já estão presentes no interior 
dos vasos linfáticos, linfonodos ou vasos sanguíneos, nem todos estes passos são 
necessários para a metástase. Além disso, o sistema linfático drena para o sistema 
arterial em dois locais dentro do pescoço.

A capacidade de uma célula cancerígena metastizar depende de suas propriedades
individuais, as propriedades das células não cancerosas, incluindo as células do 
sistema imunológico, presentes no local de origem e as propriedades das células 
encontradas no sistema linfático ou na corrente sanguínea no local da metástase. 
Nem todas as células cancerígenas, por si só têm a capacidade de metastizar. 
Além disso, as células não cancerígenas do local de origem podem ser capazes de 
bloquear a metástase das células cancerígenas. Além disso, o fato das células cancerígenas 
alcançarem outro local do corpo não garante que um tumor metastático irá se formar. 
As células cancerígenas metastáticas podem permanecer dormentes em um local 
distante por muitos anos antes de começarem a crescerem novamente.

O câncer metastático tem sintomas?
Algumas pessoas com tumores metastáticos não tem sintomas. 
As metástases são encontradas por exames de Raios X ou outros exames de imagem.
Quando os sintomas do câncer metastático ocorrem, o tipo e a frequência desses 
sintomas dependerão do tamanho e da localização da metástase. 
Por exemplo, o tumor que se espalha para o osso é susceptível de causar dor e 
pode levar a fraturas ósseas. O que se dissemina para o cérebro pode causar uma 
variedade de sintomas, incluindo dores de cabeça ou convulsões. 
Falta de ar pode ser um sinal de metástase pulmonar. 
Inchaço abdominal ou icterícia pode indicar que a doença se espalhou para o fígado.
Às vezes, a doença original só é diagnosticada quando o tumor metastático 
causa sintomas. Por exemplo, um homem com câncer de próstata disseminado 
para os ossos pélvicos pode apresentar dores lombares causadas pela doença nos ossos, 
antes de ter outros sintomas do tumor na próstata.

É possível ter um tumor metastático, sem ter um câncer primário?
Não. Um tumor metastático sempre é causado por células cancerígenas de outra 
parte do corpo.
Na maioria dos casos, quando um tumor metastático é diagnosticado, o tumor 
primário também pode ser encontrado. A pesquisa para o diagnóstico do tumor 
primário pode envolver exames de laboratório, raios X, tomografia computadorizada, 
ressonância magnética, tomografia por emissão de pósitrons e outros procedimentos.
No entanto, em alguns pacientes, o tumor metastático é diagnosticado sem ser 
localizado o tumor primário, apesar de serem realizados vários exames, porque é 
muito pequeno ou regrediu completamente. 
Os patologistas sabem que o tumor diagnosticado é uma metástase porque as 
células não se parecem com as do órgão ou tecido onde o tumor foi encontrado. 
Nestes casos, o tumor é denominado primário desconhecido.
Atualmente, com o aprimoramento das técnicas de diagnóstico, o número de casos 
de primário desconhecido está diminuindo.

Se uma pessoa tratada previamente para um determinado tipo de câncer 
for diagnostica com câncer uma segunda vez, esse novo câncer é um 
novo câncer primário ou metastático?

O câncer pode ser um novo tumor primário, mas, na maioria dos casos, é uma metástase.

Quais são os tratamentos utilizados para o câncer metastático?

O tumor metastático pode ser tratado com terapia sistêmica (quimioterapia, terapia 
biológica, terapia alvo, hormonioterapia), terapia local (cirurgia, radioterapia) ou 
uma combinação destes tratamentos. A escolha do tratamento depende geralmente 
do tipo de tumor primário, tamanho, localização, número de tumores metastáticos, 
idade do paciente, estado de saúde geral e dos tipos de tratamentos já realizados. 
Nos pacientes com primário desconhecido é possível tratar a doença mesmo que o 
primário não seja localizado.

Existem novos tratamentos para o câncer metastático em desenvolvimento?
Sim, os pesquisadores estão estudando novas maneiras para destruir ou bloquear 
o crescimento das células do tumor primário e das células metastáticas, incluindo 
novas formas de aumentar a resposta do sistema imunológico contra tumores. 
Além disso, os pesquisadores estão tentando encontrar novas formas de interromper 
os passos individuais do processo metastático.
Antes de qualquer novo tratamento ser amplamente disponibilizado aos pacientes, 
deve ser estudado em protocolos clínicos para garantir sua eficácia e segurança
no tratamento da doença. Os protocolos clínicos são um passo fundamental para 
melhorar o tratamento do câncer. Os resultados prévios dos protocolos clínicos levaram 
ao avanço não só dos tratamentos do câncer, mas também para a detecção, diagnóstico 
e prevenção da doença. Os pacientes interessados em participar de um protocolo clínico 
devem conversar com seu médico.

PREVENÇÃO DO INFARTO

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Dr. Carlos Alberto Pastore, médico cardiologista, é o autor do livro “Dicas de Saúde:Curiosidades e Esclarecimentos”, uma coletânea das orientações  que dá diariamente aos ouvintes da Rádio Eldorado AM de São Paulo. Seus esclarecimentos, em linguagem precisa e accessível, são de grande utilidade pública, especialmente num País como o nosso que carece desse tipo de informação. Nesta entrevista, concedida no Canal Universitário, o dr. Pastore  explica o que se deve fazer  para prevenir as doenças do coração.


FAIXA ETÁRIA DE RISCO
Drauzio – Qual a faixa etária com maior risco de sofrer infarto do miocárdio?
Carlos Alberto Pastore – A faixa etária vem caindo nos últimos 20, 30 anos. Antes, quando entrava no Incor um paciente com 40 ou 50 anos, a equipe médica se surpreendia, porque o infarto acontecia, em geral, depois dos 60. Hoje, no entanto, é rotina atender casos de infarto em pessoas mais jovens.
Drauzio – Como você  explica esse fato?
Carlos Alberto Pastore – Acredito que, no passado, a aterosclerose ocorria mais lentamente e os que envelheciam, mais cedo ou mais tarde, apresentariam um problema coronariano. Como se sabe, o infarto é uma doença multifatorial. Infelizmente, algumas condições de vida do homem moderno contribuíram para acelerar esse processo. Pessoalmente, dou muita ênfase aos hábitos alimentares, à redução das atividades físicas e aos efeitos nocivos do estresse.

A DIETA
Drauzio – Você citou a dieta de hoje mais rica em calorias, mas no passado se cozinhava com banha de porco o que acentuava o teor calórico dos alimentos. Não parece um contrassenso culpar apenas o excesso de colorias pela ocorrência de infarto mais precocemente?
Carlos Alberto Pastore – A banha de porco talvez não fosse tão importante no cômputo geral das calorias, quanto é a comida fast food. Quando comemos um hambúrguer, uma porção de batata frita e tomamos um milk shake, em poucos minutos ingerimos de 1.000 a 1.500 calorias, o que representa praticamente a necessidade calórica de um dia inteiro. Esses novos hábitos alimentares estão muito ligados ao modo de viver dos americanos, que se preocupam, no momento, com as alterações orgânicas decorrentes do aumento excessivo  de peso, porque a população dos Estados Unidos, no geral, engordou bastante nas últimas décadas. Quando insisto em dietas equilibradas, destaco sempre dois pontos: a necessidade de conhecer as propriedades nutricionais de cada alimento e a de criar hábitos saudáveis de alimentação desde a infância. Um saco de pipocas, por exemplo, que qualquer um come brincando, tem 500 calorias. Se for feita na manteiga, o número sobe para 2000. E tem mais: dietas miraculosas, como a da Lua, do abacaxi, ou do pozinho que substitui a comida, não cumprem o que prometem. Dieta não é para uma semana, é para a vida toda. Por isso, não pode ser sinônimo de privação e sacrifício. Se comermos nas proporções e horários adequados, quase nada é proibido. Não é exagero dizer que vive mais quem come 70% da alimentação diária até as 2 horas da tarde e, daí em diante, come com moderação, pois disso depende sua saúde e bem-estar.
Drauzio – Isso quer dizer que comer na hora de dormir engorda mais?
Carlos Alberto Pastore – Tudo indica que o metabolismo fica mais lento à noite. Por isso, é aconselhável alimentar-se bem no início do dia, período de atividades mais intensas e, consequentemente, de maior queima de energia. Quando o ritmo decresce, deveríamos comer menos, mas geralmente ocorre o contrário. É mais fácil colocar dentro de um pão umas fatias de queijo e presunto, besuntá-lo com manteiga e tomar um refrigerante do que preparar uma salada. Ingerir açúcar rápido (pão, macarrão, massas, doces) à noite duplica a absorção e engorda. O aconselhável seria comer verduras, legumes, frutas, fibras e, talvez, algum grelhado.
A ATIVIDADE FÍSICA
Drauzio – Sem falar nos homens primitivos que lutavam para encontrar o que comer, num passado relativamente próximo, o homem era obrigado a locomover-se mais. Atualmente, ele desce pelo elevador, entra na garage, pega o carro e para na porta do local de destino. Quais as implicações da vida sedentária a que se submete o homem moderno?
Carlos Alberto Pastore – Na área da Cardiologia moderna, todos os trabalhos científicos publicados recentemente são unânimes em reconhecer que, para o coração, nada supera os benefícios da atividade física regular. Veja, insisto no termo: regular.  Estudos realizados nos Estados Unidos demonstram que as pessoas devem fazer exercícios quatro vezes por semana durante meia hora, ou andar durante uma hora, sem exageros, mas com regularidade. Indivíduos idosos, que já adotaram essa conduta, têm melhor qualidade de vida. Provavelmente viverão mais dez anos do que viveriam se fossem sedentários.
Drauzio – Nos Estados Unidos, há um empenho em levar indivíduos de 80 anos para correr a maratona. Quando se poderia imaginar que alguém com essa idade seria capaz de correr 42 km?
Carlos Alberto Pastore – É surpreendente como eles conseguem fazê-lo. Há todo um trabalho corporal que possibilita não mais considerar idoso o indivíduo com 80 anos. Antigamente, quando se pensava em alguém com 80 anos, era comum ouvir-se: “Puxa, que velho!”. Hoje, conheço muita gente nessa idade que se dedica ao trabalho, toca empresas, leva vida produtiva. O investimento na longevidade saudável, porém, precisa começar cedo. Se a pessoa tem 40 anos e nunca fez exercícios, necessita de uma avaliação prévia, porque pode apresentar hipertensão leve ou níveis alterados de colesterol que requerem cuidados.  Como provam os octogenários que correm a maratona, é possível iniciar uma atividade tardiamente. Nos primeiros dias, é aconselhável andar 15 minutos e ir aumentando o esforço aos poucos, até atingir uma hora. Nesse caso, não é válido considerar uma ida ao shopping para ver vitrines, subir e descer alguns lances de escadas e a movimentação própria do trabalho rotineiro, como treinamento regular. Sempre que posso aconselho: ande pelo prazer pessoal de andar. Ande num lugar gostoso, ouvindo música, observando a paisagem. O exercício precisa ser contínuo, cadenciado.  Considere-o uma fonte de bem-estar. Uma ala expressiva de estudiosos no assunto garante que se deveria dedicar ao lazer o mesmo tempo que se leva trabalhando. Se isso soa utópico, mas pelo menos há de ser possível encontrar uma hora no dia para revertê-la em benefício pessoal.
Drauzio – Muitos se orientam pela sudorese para avaliar o ritmo adequado dos exercícios. Você concorda com isso?
Carlos Alberto Pastore – A sudorese é sinal de que o indivíduo atingiu certa frequência de batimentos cardíacos. O valor da frequência ideal é obtido por um teste ergométrico e cada pessoa deve exercitar-se ao redor de 80% de sua frequência máxima. Portanto, se o indivíduo está suando em bicas, provavelmente terá ultrapassado os limites desejáveis.
ATIVIDADE FÍSICA PARA CARDÍACOS
Drauzio – Qual a atividade física indicada para quem já teve problemas cardíacos?
Carlos Alberto Pastore – Pessoas que já tenham apresentado problemas cardíacos exigem atenção especial. O início do trabalho está sujeito a uma avaliação criteriosa. Se já houve um infarto de consequências mais graves, é imprescindível verificar que tipo de atividade o coração pode suportar. Como regra geral, a orientação é caminhar, o que raramente apresenta contraindicações. Dependendo da extensão do infarto, ou de tratamentos cirúrgicos que exigiram revascularizaçao, encaminha-se o paciente para uma clínica de reabilitação especializada no acompanhamento de cardíacos.
Drauzio – Quanto tempo após a cirurgia, uma pessoa pode novamente fazer exercícios?
Carlos Alberto Pastore – Em geral, no segundo ou terceiro mês depois da cirurgia, já se pode indicar um trabalho de reabilitação. Recomenda-se que o indivíduo comece a andar. No entanto, embora pareça incrível, mesmo depois do infarto ou de uma cirurgia cardíaca, poucos são os que seguem à risca os conselhos da equipe médica.
O PESO DA EMOÇÃO
Drauzio – Que papel exercem as emoções nos casos de infarto do miocárdio?
Carlos Alberto Pastore – Quando se fala em infarto, a preocupação imediata recai sobre a hipertensão, os níveis elevados de colesterol, os malefícios do fumo. Muitos se esquecem dos efeitos negativos dos fatores emocionais sobre os males do coração. Nos congressos mundiais de Cardiologia, esse tema tem sido abordado com destaque especial, pois foi constatado que, em muitos casos, estados depressivos antecediam os infartos, sugerindo que, se a pessoa baixar a guarda, a probabilidade de um futuro infarto aumenta. Por isso, a depressão passou a ser vista como fator de risco tão importante quanto o colesterol, a pressão alta ou o cigarro. Num dos congressos, o cardiologista clínico do presidente Clinton discutiu sua proposta de trabalho que se tornou famosa pelos bons resultados obtidos. Trata-se de um tratamento que poderia ser chamado de alternativo, porque se baseia, principalmente, em dieta e meditação. Hoje, ninguém mais contesta a importância de estar atento ao lado emocional dos pacientes, antes e depois do infarto, porque a depressão custa a desaparecer. Indivíduos que tiveram um infarto ou foram revascularizados necessitam de suporte psicoterápico e familiar, pois costumam evoluir melhor aqueles que recebem cuidados e carinho das pessoas que o cercam.
Drauzio – Talvez o exercício físico ajude a amenizar esses quadros depressivos.  Eu, nos dias em que corro, fico mais feliz. Você concorda com esse papel secundário da atividade física? Carlos Alberto Pastore – Sem dúvida, porque o organismo libera endorfina que ajuda a combater a depressão. Infelizmente, nem todos conseguem aplicar-se a um programa metódico de exercícios. Nesse caso, é preciso combater a depressão de alguma forma para evitar o risco de novo infarto. O COLESTEROL Drauzio – Lembrando que o ideal é valor de colesterol total abaixo de 200, como você orienta seus pacientes que apresentam níveis altos de colesterol?
Carlos Alberto Pastore – Como considero a informação fundamental para a adesão ao tratamento, explico aos pacientes a diferença entre o bom colesterol (HDL), que protege as artérias, pois não deixa a gordura grudar em suas paredes e o colesterol ruim (LDL), produtor de ateromas e de trombos. Como resultado, o objetivo principal é sempre  melhorar o valor do HDL e diminuir o do LDL. O exercício, por exemplo, levanta o bom colesterol; o cigarro, abaixa-o. Por razões genéticas, alguns indivíduos não apresentam desequilíbrio algum no metabolismo das gorduras. Outros, por predisposição familiar, apesar da dieta, têm dificuldade de mantê-lo baixo. Felizmente, a farmacologia moderna está empenhada em criar drogas, cada vez mais eficientes, para combater o colesterol. É o caso das estatinas que, quase sem efeitos colaterais, diminuem a agressividade dos ateromas. No exterior, já há quem indique medicação para jovens com história familiar de colesterol elevado.
Drauzio – O colesterol alto pode manifestar-se em crianças cujos pais apresentem também essa característica? Foi publicado, num editorial do New England, que se deveria dosar o colesterol das crianças. Essa recomendação, feita há alguns anos, teria provocado estranheza. O que você acha disso?
Carlos Alberto Pastore – O colesterol elevado é uma doença e como tal deve ser encarado. Tenho um paciente que sofreu um infarto aos 30 anos e o colesterol de seu filho de 12 anos é 400. Se existem sinais de predisposição genética, as crianças precisam ser observadas. Além disso, numa família com tais características, prevenir é o melhor remédio. Cultivar, nas crianças, hábitos alimentares saudáveis pode representar excelente profilaxia, pois de nada adiantam dietas espartanas feitas durante um mês ou dois. Persistência e bom-senso são fundamentais para enfrentar essa dificuldade. Entretanto, não se deve abrir mão de certos prazeres. Oriento meus pacientes a terem juízo de segunda a sexta-feira: bom café da manhã,  almoço caprichado e jantar frugal. Quando surgir uma festa no meio da semana, aceitem o convite, mas antes de sair comam algo que faça parte de sua dieta. Assim fica mais fácil resistir às tentações. Aos sábados e domingos, permitam-se algumas extravagâncias, mas esqueçam-se delas novamente, na segunda pela manhã.
A BEBIDA ALCOÓLICA
Drauzio – Como você orienta seus pacientes quanto à ingestão de álcool?
Carlos Alberto Pastore – Peço sempre moderação. Mesmo o vinho que, em pequenas doses, pode trazer algum benefício para o colesterol e o coração, deve ser bebido com parcimônia, pois há órgãos, como o fígado e os intestinos, que reagem negativamente à ingestão de bebidas alcoolicas. Além disso, o álcool é altamente calórico, portanto desaconselhável para quem não pode engordar. Esse ponto de vista choca-se sempre com o argumento de que, na Europa, beber vinho é um costume visto como salutar.  Acontece que o clima do Brasil é muito diferente do europeu e a bebida aqui não se restringe a um ingênuo cálice de vinho tinto. Por isso, a bebida não consta de minhas prescrições terapêuticas. No entanto, volto a repetir que, com moderação, nada é proibido. Portanto, beber esporadicamente, em ocasiões especiais, de preferência durante as refeições, não acarreta maiores prejuízos a ninguém.