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quinta-feira, 28 de julho de 2016

Receitas para controle de sintomas

O tratamento quimioterápico, radioterápico e de radioiodoterapia podem apresentar diversos efeitos colaterais. Esse processo, dependendo do paciente, causa alterações no organismo, que podem ser leves ou agudas.
 
Os efeitos têm duração variável e, geralmente, desaparecem após algumas semanas - mas são os grandes responsáveis pela ingestão alimentar insuficiente e, consequentemente, pela perda de peso durante o tratamento.
 
A boa notícia é que estes sintomas desagradáveis podem ser minimizados por meio do uso de medicamentos prescritos pelo médico e com uma avaliação nutricional. Os profissionais, em conjunto, irão avaliar quais são os cuidados necessários com a alimentação durante o período de tratamento.
 
Por isso o Icesp criou um cardápio especial que pode ajudar os pacientes oncológicos a comer melhor. Em breve, o conteúdo completo será divulgado em formato de livro. Mas, desde já, algumas receitas podem ser encontradas aqui.
 
Vale lembrar que nem todos os quimioterápicos ou a radioterapia ocasionam efeitos indesejáveis e cada organismo responde de forma individualizada ao tratamento, dependendo da idade, da condição clínica e nutricional de cada um e da ocorrência da necessidade de tratamentos associados. Por isso, nem todas as pessoas apresentam os efeitos colaterais da quimioterapia ou radioterapia.
 
Entretanto, se os efeitos colaterais manifestarem-se, lembre-se que são temporários. Seja positivo, tenha persistência e determinação em não interromper o tratamento médico. A continuidade do tratamento e o empenho em garantir uma alimentação adequada são fundamentais para a recuperação e manutenção da saúde.
 
Assim, é muito importante que você comunique a seu médico caso apresente algum efeito colateral ou qualquer alteração da sua condição habitual. Procure também um nutricionista para a avaliação, orientação e acompanhamento nutricional visando ajustar a sua dieta e contornar as possíveis reações desagradáveis decorrentes da quimioterapia e/ou radioterapia a fim de prosseguir mais confortavelmente e com mais êxito ao tratamento proposto pelo seu médico.
 
Receitas:
Pratos salgados
Cestinhas de folhas (náuseas e vômitos, intestino preso)
Wrap integral de frango e hortaliças (náuseas e vômitos, intestino preso)
Rocambole de fubá (dor para engolir, feridas na boca, náuseas e vômitos, diarreia)
Almôndega de aveia (ausência ou alteração de paladar, náuseas e vômitos, intestino preso)
Arroz Cremoso (dor para engolir, feridas na boca, boca seca)
Sopa de grão de bico com abacaxi (radioiodoterapia, ausência ou alteração de paladar, dor para engolir boca seca, intestino preso)
Sopa de batata doce com alho poro (radioiodoterapia, feridas na boca, boca seca)

Pratos doces
Flan de laranja com calda de hortelã (alteração no paladar, dor para engolir, feridas na boca, boca seca, náuseas e vômito)
Flan de melancia (radioiodoterapia, dor para engolir, boca seca)
Sorvete de erva doce com maçã (ausência ou alteração no paladar, dor para engolir, feridas na boca, boca seca, náuseas e vômito)
Banana com cravo e canela (radioiodoterapia, ausência ou alteração do paladar, dor para engolir, boca seca)
Bolo de mel - sem ovo (radioiodoterapia, dor para engolir)

Bebidas
Suco de maçã, limão e hortelã (radioiodoterapia, ausência ou alteração do paladar, dor para engolir, boca seca, náuseas e vômito e diarreia)
Gelo verde (ausência ou alteração do paladar, dor para engolir, boca seca, náuseas e vômitos)
Suco de couve cítrico (ausência ou alteração do paladar, dor para engolir, boca seca, náuseas e vômito)
Espumante de maçã com hortelã (radioiodoterapia, ausência ou alteração do paladar, dor para engolir, boca seca, náuseas e vômitos, diarréia)
Suco de cenoura, tangerina e gengibre (radioiodoterapia, ausência ou alteração do paladar, dor para engolir, boca seca, nauseas e vômitos)
Milk-shake de banana (dor para engolir, feridas na boca, boca seca, intestino preso)


Efeitos colateraisDicas para controlar os sintomas:
Náuseas e vômitos
O que você deve fazer:
  • Prefira alimentos gelados ou em temperatura ambiente.
  • Faça pequenas refeições em menor intervalo de tempo.
  • Coma devagar e mastigue bem os alimentos.
  • Beba sucos ou chupe gelo ou picolé de frutas cítricas, como limão (se não estiver com feridas na boca) nos intervalos das refeições.
  • Realize suas refeições em lugares bem arejados.
O que você deve evitar:

  • Frituras e alimentos gordurosos.
  • Doces concentrados, como compotas, goiabada, marmelada.
  • Condimentos fortes (pimenta, catchup, mostarda, molho inglês, por exemplo).
  • Deitar-se após as refeições.
  • Ficar próximo à cozinha durante o preparo das refeições.
Diarreia
O que você deve fazer:
  • Consuma líquidos em abundância: chás, sucos coados e principalmente água.
  • Procure ingerir alimentos como batatas, chuchu, cenoura cozida, aipim, inhame, cará, creme de arroz, arroz, macarrão com molho caseiro coado, farinhas, torradas, biscoito água e sal ou de maisena, carnes grelhadas (frango, peixe ou boi).
  • Prefira sucos de frutas coados: limonada, caju, maçã e laranja sem açúcar.
  • Prefira leite de soja.
  • Consuma as frutas: banana-maçã, maçã e pêra sem casca, goiaba sem casca e semente, caju.
  • Consuma apenas o caldo de leguminosas (feijão, ervilha, lentilha, grão de bico).

O que você deve evitar:
  • Leite e derivados.
  • Alimentos gordurosos (manteiga, toucinho, banha, creme de leite, por exemplo).
  • Frutas cruas em geral.
  • Frutas e sementes oleaginosas (abacate, coco, nozes, amêndoas, amendoim, castanhas).
  • Condimentos picantes (páprica, pimenta, mostarda, catchup, por exemplo).
  • Conservas em geral (picles, azeitona, palmito, aspargos, milho e ervilha).
  • Embutidos (salsicha, lingüiça, presunto, salame, mortadela, por exemplo).
  • Leguminosas (feijão, ervilha, lentilha, grão de bico).
  • Hortaliças cruas: legumes e verduras folhosas.
  • Alimentos de causam flatulência (gases), como couve-flor, brócolis, repolho e ovo.
Intestino preso (constipação)
O que você deve fazer:
  • Consuma líquidos em abundância (chás, sucos diluídos e principalmente água).
  • Prefira frutas laxativas: ameixa, laranja, mamão, abacate, ameixa seca, manga, banana nanica.
  • Consuma as frutas com casca e bagaço, quando possível.
  • Consuma preferencialmente hortaliças cruas (legumes e verduras).
  • Consuma farelo de cereais (arroz, aveia ou trigo).
  • Consuma produtos integrais (arroz, pães e torradas).
  • Consuma leguminosas regularmente (ervilha, feijão, grão de bico, lentilha, soja, por exemplo).
  • Consuma leite e derivados: iogurte, leite fermentado, mingau de aveia.

O que você deve evitar:
  • Alimentos constipantes, como ricota fresca, queijo branco, sagu, tapioca, maisena, arrozinha, banana prata, banana maçã, pêra, goiaba e maçã sem casca e sem sementes, caju.
Boca seca (xerostomia)
O que você deve fazer:
  • Prepare as refeições com caldos ou molhos.
  • Se não houver feridas na boca, chupe balas azedas e/ou ácidas, picolés ou gelo e mastigue chicletes (de preferência sabor menta), que podem ajudar a produzir mais saliva.
  • Consumir líquidos em abundância: chás, sucos diluídos e, principalmente, água.

O que você deve evitar:
  • Comer alimentos secos.
Feridas na boca (mucosite)
O que você deve fazer:
  • Consuma alimentos macios e pastosos.
  • Prefira alimentos gelados ou à temperatura ambiente.
  • Se necessário, utilize alimentos líquidos ou liquidificados.

O que você deve evitar:
  • Alimentos ácidos, picantes ou muito salgados.
  • Alimentos muito quentes.
Dor para engolir (odinofagia)
O que você deve fazer:
  • Preparar sua refeição na consistência que for mais bem tolerada, que ofereça menor dificuldade para mastigar ou engolir, podendo variar entre branda, pastosa ou líquida (conforme avaliação da fonoaudióloga).
  • Tomar pequenos goles de água ou suco durante as refeições podem ajudar a engolir.
  • Faça as refeições em pequenas quantidades, várias vezes ao dia.

Ausência ou alteração de paladar
O que você deve fazer:

  • Enxágue a boca com água pura antes das refeições ou faça bochechos com chá de camomila antes das refeições.
  • Experimente balas azedas e/ou ácidas ou gotas de limão (30 gotas em 1 copo de 200ml) ou gelatina de limão (caso não apresente feridas na boca).
  • Use temperos naturais em maior quantidade, como: manjericão, orégano, salsinha, hortelã, alecrim, coentro, por exemplo.
  • Substitua os talheres de metal pelos de plástico, caso sinta sabor residual metálico.
  • Mantenha boa higiene bucal.

O que você deve evitar:
  • Consumir alimentos muito quentes ou muito gelados.

Radioiodoterapia;
É o tratamento que utiliza iodo radioativo (Iodo-131) para o controle dos carcinomas diferenciados da glândula tireóide.
O objetivo é combater às células cancerígenas que ainda restaram na tireóide após a cirurgia (tireoidectomia) ou metástases, sendo destruídas através da radiação emitida pelo iodo.
Os pacientes recebem orientação para realização de uma dieta pobre em iodo, no período que antecede a internação, através do nutricionista ambulatorial. Evitam o consumo de Sal iodado, sal marinho e alimentos salgados, pois são fontes de iodo.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Ser VOLUNTÁRIO é Ser Humano!


O voluntariado é uma oportunidade excepcional para a prática do bem e da solidariedade.

Ser voluntário é muito mais que oferecer uma parte de seu tempo, é muito mais que olhar para a necessidade do outro, muito mais que fazer parte de uma maravilhosa corrente, muito mais que colocar o seu entendimento e experiência em benefício do todo, vai além das expectativas do ser humano e o coloca em destaque, tanto para quem doa, tanto para quem recebe.

O voluntário é um guerreiro silencioso que não busca fama, dinheiro ou oportunidade de riquezas, apenas dá o que tem de melhor. A visão do voluntário é ampla e bela, pois tem um alcance infinitamente maior sobre o que acontece ao seu redor e se integra a estas condições sempre com muita entrega e determinação.

Uma frase que ouvimos constantemente é: 
“Gostaria tanto de ajudar, mas não sei como.”

É muito fácil! Somente basta desejo de ajudar, aliado ao comprometimento com a causa.

Ser voluntário é Ser Humano…

Seja um voluntário!


terça-feira, 19 de julho de 2016

Doe seu cabelo. ENQUANTO SEU CABELO CRESCE, CRESCE A ESPERANÇA DE MUITA GENTE.



Doe seu cabelo

O primeiro passo para doar é preencher o formulário abaixo e gerar um código de identificação de doador. 
Anote este código num papel e cole no saco plástico onde será guardado o cabelo a ser doado. 

Saiba mais sobre as formas de doar aqui:


A doação de cabelo é um exercício de solidariedade, porém o que muitos desconhecem é  o longo e oneroso processo que uma mecha de cabelo leva até efetivamente virar uma peruca na cabeça de um paciente.  Não basta apenas cortar qualquer tamanho de cabelo e doar. É preciso ir além e entender toda cadeia produtiva para ajudar. 

Durante o ano de 2015 nos dedicamos a estudar melhorias em nosso processo e por isso as doações diretas de cabelos para a Fundação Laço Rosa foram suspensas. Participamos de vários workshops, seminários e programas de aceleração. Vencemos a maratona de negócios sociais do Sebrae RJ. Muita gente bacana nos ajudou nessa jornada e o resultado de todo esforço é o programa "FORÇA NA PERUCA"!

ENQUANTO SEU CABELO CRESCE, 
CRESCE A ESPERANÇA DE MUITA GENTE.

Força na Peruca é um Programa da Fundação Laço Rosa que ensina a arte da Perucaria (produção de perucas, apliques e extensões) através de curso profissionalizante e aulas práticas. Além do aprendizado, o aluno ajuda a manter a cadeia produtiva que alimenta a doação de perucas para pacientes com câncer e ainda pode concorrer a um contrato de trabalho no final do curso.
1. Cadastre-se aqui no hotsite #fortalizese e gere seu código de  doador.
2. Corte 20cm (ou mais) e guarde em um saco plástico, seco.
3. Identifique a doação com o código e envie para o endereço do site.
4. Triagem de cabelos por voluntárias vitoriosas.
5. Projeto FORÇA NA PERUCA recebe os cabelos doados.
6. Alunos aprendem a produzir perucas e ganham uma profissão.
7. Perucas seguem para a Laço Rosa e são embaladas para presente.
8. Parceiros nos ajudam a entregar os presentes.
9. Sua doação chega ao destino final e faz alguém muito feliz!

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Estou perdido ou (de fato) seguindo minha verdade?

 
 Todos os dias ouço histórias de pessoas que deixaram de lado seus sonhos porque não tiveram tempo, energia ou coragem suficientes para prosseguir.
Ouço também aqueles que estão perdidos, presos numa vida que não lhes traz muito sentido, que não parece estar alinhada com quem de fato eles são. E acabam experimentando sentimentos de ansiedade e confusão.
Mas como ter uma pista sobre estar ou não seguindo o caminho que é seu de verdade? Como saber se as escolhas que faço hoje estão alinhadas com quem eu sou? Como saber se estou só seguindo uma roda viva ou se estou criando meu próprio caminho?
Ao iniciar essas reflexões, muitas dessas pessoas acabam se encontrando e retomando seus sonhos. Mas muitas também se deparam com diversas dificuldades e, por conta disso, desistem de vez e arquivam seus desejos de outrora.
Se você também se sente perdido, se não sabe se suas escolhas estão no caminho certo, talvez esse artigo possa ajudá-lo nessa reflexão.

Por isso, o que sempre digo para meus pacientes e coachees é: observe seus próprios sentimentos. Eles irão te nortear sobre que caminho faz sentido para você mesmo. Porque uma vez que você começa a perseguir sua verdadeira paixão, você vai se sentir leve, cheio de energia e cheio de orgulho por ter vencido a si mesmo.
Para você, desejo uma excelente caminhada!

4 maneiras construtivas de lidar com as críticas

Use a crítica ou julgamento como energia para ser melhor
Use a crítica ou julgamento como energia para ser melhor
Se você faz parte de uma equipe de trabalho, uma família, uma turma de escola, uma vizinhança, então você já teve de passar por situações como essas:
- Já te criticaram por algo que você disse,
- Já te julgaram por algo que você fez (ou não fez),
- Já te criticaram por alguma opinião que você deu,
- Já te julgaram pelas amizades que você coleciona.

O tempo todo somos julgados por quem demonstramos ser, por nossas supostas falhas, por nossos erros reais. Mas, enquanto a vontade é a de virar as costas para quem nos julga ou nos critica, talvez essa seja exatamente a oportunidade que temos de crescer e amadurecer.

Tenho dito aqui nos artigos anteriores que as pessoas não estão em nossa vida por acaso. O mesmo pode-se dizer sobre as situações que vivenciamos. Sei que é terrível receber críticas ou ser julgado, mas podemos utilizar essas situações para construirmos tijolo por tijolo nossas forças e derrubarmos tijolo por tijolo nossas fraquezas.

Portanto, quando receber críticas, tente seguir os passos a seguir:


#1
Respire por um momento, defina seus limites, e responda, sem ficar na defensiva
A crítica, independentemente de boa ou má, pode nos afetar negativamente. Portanto, antes de reagir, respire por um momento e peça um tempo ao interlocutor para pensar a respeito da crítica. Explique que você ouviu o que foi dito, mas que não consegue digerir aqui e agora. Diga que gostaria de retomar a conversa assim que refletir sobre o assunto.

Se a crítica ocorre por texto (e-mail, whatsapp etc), tente não responder imediatamente. Afaste-se do texto, vá fazer outra atividade, tome um banho gostoso, faça qualquer outra coisa para refrescar seus pensamentos. Só depois de ter relaxado um pouquinho, esforce-se para responder da forma mais madura que conseguir, sem ficar na defensiva, sem ironias e sem provocar novo conflito. Tente aprender com o que lhe foi dito.


#2
Foque nos fatos, não no tom nem na forma que foi criticado ou julgado
Num mundo ideal, todos deveríamos ser mestres na maneira de nos comunicar com os demais, mas isso está longe de ser a realidade. Mesmo quando estamos com a melhor das intensões e com o melhor dos conselhos, uma má escolha de palavras pode colocar tudo a perder.

Da mesma forma, um feedback maldoso pode muito bem conter críticas construtivas e verdadeiras. Por isso é importante focar nos fatos, não no tom nem na forma. Concentre-se nas ideias do que lhe foi dito. Evite desperdiçar energia no sentimento de vitimização ou de auto-piedade. Canalize seus pensamentos e atitudes para construir algo positivo a partir daí.


#3
Use a crítica ou julgamento como energia para ser melhor, não como motivo para deixá-lo(a) para baixo
Quando passamos por alguma situação difícil, nossa melhor alternativa é usá-la para crescer e seguir adiante. Não é possível viver uma vida imune às críticas, isso faz parte da vida de qualquer um. E muitas delas, por mais doloridas que sejam, são até verdadeiras. É preciso ter humildade para ouvi-las.

Podemos usar a situação para nos motivas, para nos superar, para alcançar algum autoconhecimento sobre nossos erros, falhas, vacilos. 

Podemos escolher amadurecer, mesmo que não seja nada fácil.


#4
Entenda o ponto de vista de quem está criticando ou julgando
Entender o ponto de vista do interlocutor não significa concordar com ele. Significa entender por que ele pensa assim. Será que o contexto no o qual foi criado e educado foi diferente do seu? Será que a família que o criou passou que tipo de valores e princípios para ele(a)? Será que a pessoa vem de outra religião, outra cultura, outra época, outra cidade, outro país?

Se você perceber que a pessoa tem uma forma de enxergar o mundo bem diferente de você, talvez um caminho seja separar a mensagem em pontos a considerar e pontos a desconsiderar.

Não descarte todo o conteúdo da crítica, pois você pode aumentar ainda mais sua forma de enxergar o mundo, aumentando também sua zona de conforto.

E lembre-se: só é criticado aquele que aparece. Como diria o filósofo Elbert Hubbard, “para evitar críticas, não faça nada, não diga nada, não seja nada”.

Por que repetimos os mesmos sofrimentos?


Não importa em que tipo de relacionamento você se encontre, se familiar, afetivo, de amizade, profissional. Escuto esta pergunta o tempo todo: Mas, Alenne, por que eu continuo sofrendo pelos mesmos motivos? Atraindo o mesmo tipo de pessoas? Passando pelos mesmos problemas?
A resposta é bastante simples, embora sua solução demande um bocado de esforço:                             O responsável é seu Eu Machucado.
Todos nós temos dois EUs ou, se preferir, dois SELFs. Temos o Eu Machucado (ou Self Inferior) e o Eu Superior (ou Self Superior).
O Eu Machucado é sua parte incompleta, é sua porção que questiona seu valor próprio, que não se sente completo, se sente inferior. Seu Eu Machucado vive se perguntando por que você não é suficiente, por que não consegue isso ou aquilo, por que não merece o que deseja. É seu Eu Machucado que não se conforma em não ser amado.
Por outro lado, você também tem um Eu Superior. Talvez ele esteja mais próximo do que chamamos de alma. É sua parte ligada ao amor mais puro e verdadeiro, à sabedoria, à verdade, à sua paz interior. Seu Eu Superior sabe exatamente seu valor, conhece suas forças e aceita que você seja do jeitinho que você é. Este Eu Superior não precisa que outros nos valorizem, nos amem, nos reconheçam; ele já faz tudo isso por você. Ele reconhece sua completude em si mesmo.
Em muitos momentos, operamos a partir de um ou de outro. Mas muitos de nós operamos na maior parte do tempo a partir do Eu Machucado. Ou seja, acreditam que são inferiores, frágeis, incompletos e que precisamos de algo externo para compensar essa falta.
O Eu Machucado procura lá fora (nos outros, nas coisas, nos relacionamentos, no emprego, no dinheiro…) algo que te faça encontrar validação e reconhecimento. Ele acredita que quanto mais você tem (repito: um parceiro melhor, um emprego melhor, uma casa melhor, mais férias, mais dinheiro…) aí sim você será feliz.
Mas … o vazio não é preenchido e você nunca consegue essa felicidade pronta e sem fim.
Na verdade, nos primeiros momentos em que você obtém esse algo externo (dinheiro, amor, férias…) você até se sente muito animado, como se não precisasse de mais nada. É uma falsa completude, porque é da própria natureza do Eu Machucado: ele nunca se sente completo, nunca é o suficiente.
Portanto, quando você vive através da perspectiva do seu Eu Machucado, você está destinado a se sentir como se algo estivesse sempre faltando.
Em relacionamentos afetivos o Eu Machucado fica altamente ativo, pois é nos relacionamentos onde vivemos mais situações em que podemos experimentar sofrimento.
Todos nós já vivenciamos chateações, decepções, dores num relacionamento passado. Muitas vezes essa memória (tantas vezes inconsciente) é originada lá na infância, nos nossos primeiros relacionamentos (pai, mãe, responsáveis, avós, tios, irmãos, primos, professores, coleguinhas…).
Se uma ferida da infância ainda está ativa dentro de você, é provável que você atraia pessoas que lhe farão reviver esse mesmo sentimento. Quer um exemplo? Se você foi rejeitado, é possível que atraia relacionamentos que, no fim, te façam se sentir invisível, rejeitado, sem valor, abandonado.
Seu inconsciente está programado para atrair pessoas que ativam essas feridas. E você pode me perguntar: Mas Alenne, por que isso acontece? Até quando preciso passar por isso?
A razão para isso é simples e muitas vezes difícil e dolorida: Para você aprender com essa experiência e crescer.
Por exemplo, se você precisa desenvolver sua autoestima, é provável que você atraia todo tipo de pessoas que irão intimidá-lo, desvalorizá-lo, que serão agressivos com você, que irão se opor ao que você pensa e sente, que não reconhecerão o que você faz ou fez por elas. Essa, então, poderá ser sua oportunidade de praticar e desenvolver sua autoestima.
Sei que essa é justamente a parte mais dura de um processo terapêutico, justamente quando você se percebe nessa repetição. Inicialmente quando a repetição é inconsciente talvez você sofra menos. Mais difícil é quando já sabe as origens da repetição, quando já começou a se trabalhar, mas ainda se vê envolta nos mesmos sentimentos. Essa é a parte mais difícil de aceitar.
Mas tente pensar da seguinte forma: Você está repetindo essas experiências e sentimentos para que possa finalmente curar-se.
Você não vai conseguir curar qualquer coisa se não puder senti-la ou enxergá-la. Não podemos curar as coisas que são inconscientes! Essa sensação de desconforto tem de vir à tona para que você consiga crescer a partir disso, a partir do aprendizado.
E como você consegue crescer a partir dessas feridas?
Mais uma vez dou uma resposta simples, mas também difícil: Identificando-se com seu Eu Superior.
Lembra que falei que seu Eu Superior é aquela sua parte que conhece sua essência, sua verdade, seu valor? Pois é. Ele sabe o quanto você é inteligente, digno, capaz, poderoso, engraçado, justo, amoroso. É isso e mais ainda que seu Eu Superior sabe sobre você e ele quer (e quer muito!) que você também saiba disso.
Seu Eu Superior sabe que você é completo, é pleno. Ele também sabe que você tem defeitos (afinal, todos temos!), mas sabe que é justamente essa imperfeição que te faz humano.
Quando você se identifica com seu Eu Superior, sua compulsão por repetir os padrões do passado vão se dissipando. E, aos poucos, desaparece. Mas esse é um processo, não é um evento. Não ocorre em dias ou em meses, pode durar de meses a anos.
E por que demora? Por que tem de ser tão sofrido assim?
Outra resposta simples, mas difícil de encarar: Por que você passou anos e anos vivendo assim, repetindo essa ferida. E não é de um dia para o outro que tudo isso se dissipa. Há um processo que se inicia em tornar tudo isso consciente (o que dói), depois encarar essa realidade, trabalhar em cima dela, lutar contra as autossabotagens (pois o Eu Machucado luta ferozmente para se manter ativo e poderoso), reconhecer suas qualidades e defeitos, perceber seu valor e a capacidade de mudar de pequenas a grandes coisas… Enfim, o processo pode demorar. Mas só quem viveu um resultado concreto pode dizer o quanto vale a pena manter-se confiante.
Quando você acorda para a verdade maior do seu Eu Superior, de repente você percebe que essas pessoas “erradas” eram apenas “professores da vida real”. Eles estavam ali, não à toa, para te ensinarem a fazer as pazes com sua Criança Interior.
Sabe aquela frase “A gente cresce no amor e na dor”? Infelizmente, na maioria das vezes, a gente acaba aprendendo na dor. Mas embora seja sofrido, o ponto ao qual devemos nos apegar é justamente o aprendizado, e não a dor do processo.
Esteja certo de que seu Eu Superior está doido para que você lhe dê forças, para que ele possa te mostrar o quanto você tem valor, quem você realmente é, e o que você de fato merece.
Mas recuperar esse amor dentro de você não é um trabalho fácil. Há de se ter persistência para lutar com o Eu Machucado. Por isso sempre digo que é um processo que ocorre de dentro para fora. E não de fora para dentro. Para que isso aconteça, você precisa reconhecer em si um mínimo de valor. Só depois de um “eu mereço” é que você acabará indo em busca de auxílio para ressignificar esses padrões que, hoje, tanto te fazem mal.
Procure e persista. O resultado virá.