Mostrando postagens com marcador Psico-Oncologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Psico-Oncologia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Reflexões sobre a vida e a morte


O paciente com câncer avançado em algum momento entende que não viverá para sempre assim, como qualquer pessoa sabe que tudo chega ao fim algum dia.

É importante que os membros da família reconheçam isso e ainda quando uma pessoa com câncer se sinta muito bem a morte é uma parte provável no futuro.

Pensar na morte pode ser aterrorizante e até doloroso e os pacientes e familiares vivenciam esse sofrimento, no entanto é importante passar um tempo com seu ser querido sobretudo quando ele está acordado e mais alerta. 

Fale com ele e o conforte. Diga quanto o ama e que tudo dará certo. Em nenhum momento ache que o paciente com câncer avançado não escuta por isso converse e faça carinho para reafirmar sua presença.

Muitas pessoas com câncer desejam passar seus últimos momentos em casa, onde falecer pode ser mais fácil com a ajuda da família e do pessoal médico. O objetivo é ajudar à pessoa a passar seus últimos momentos junto a seus seres queridos e com pouco ou nada de dor.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Cuidados Paliativos e a Psicologia

O paciente sempre deve ser entendido como um ser biológico, social, psicológico e espiritual, de maneira única e indivisível, devendo ser tratado em todas estas esferas, visto que a desorganização de uma delas provoca alteração em todas as outras. Devido a essa condição em que se encontram os pacientes, é necessário que além dos pacientes, os familiares e os próprios colaboradores do Hospital de Câncer de Barretos também tenham o auxílio da equipe de psicologia.

A equipe de psicologia é também responsável por colaborar com a humanização no delicado trabalho em equipe, de decisões conjuntas e trabalhos que se completam, integrando-se e proporcionando uma abordagem mais abrangente de cuidados ao paciente e à sua família.


Assistência Ambulatorial em Cuidados Paliativos


No momento em que os pacientes apresentam recidivas tumorais, metástase e são caracterizados dentro dos critérios de protocolo(como pacientes fora de possibilidade de cura e/ou com dor crônica), eles são encaminhados ao ambulatório do Hospital São Judas Tadeu para avaliação.

No ambulatório da unidade existem dois ambientes de espera: um para os pacientes acamados que precisam repousar e outro para os que podem permanecer sentados. Nestes ambientes são realizadas avaliações médicas e da equipe, mas os pacientes geralmente ainda não sabem o motivo pelo qual foram transferidos de unidades e como será o tratamento de agora em diante – já que essas informações serão dadas apenas pelo médico responsável.

O papel do psicólogo num primeiro momento em atendimento ambulatorial é o de acolher, estabelecer vínculo, familiarizar pacientes e familiares ao “novo” e desmistificar crenças sobre a Unidade de Cuidados Paliativos. Em um segundo momento, faz-se necessário identificar, trabalhar, diagnosticar e propor melhorias as demandas de cada paciente e, caso haja necessidade de intervenção psiquiátrica, o paciente é encaminhado ao serviço da cidade de origem.

Assistência de internação em Cuidados Paliativos

Os pacientes em estágio avançado da doença podem sofrer impacto psicológico devido ao estigma em ser considerado um paciente “terminal”. Como esses quadros, surgem alguns sintomas como:


  • Medo da degeneração e decadência do corpo
  • Medo do isolamento
  • Abandono ou do futuro dos familiares
  • Interrupção prematura de planos e metas de vida
  • Medo da separação
  • Medo da própria morte
  • Finitude da vida
  • Perda da autonomia e identidade
  • Sentimento de impotência
  • Fracasso
  • Desesperança
  • Desamparo
  • Solidão
  • Medo da mutilação
  • Limitações
  • Dor
  • Medo do sofrimento físico causado pelo agravamento do quadro clínico
  • Intervenções invasivas e desconhecidas

O trabalho da psicologia inicialmente é de acolhimento inicial ao paciente e ao cuidador após sua chegada na Unidade, avaliação das alterações emocionais e comportamentais dos pacientes internados encaminhados pelos médicos ou por profissionais da equipe multidisciplinar, acompanhamento familiar e suporte a equipe.

O psicólogo pode ser um elemento facilitador para que o paciente possa falar melhor de suas idéias, necessidades ou temores. A escuta atenta ao paciente e/ou familiar pode nortear a idéia do acolhimento, da continência, sentir-se aceito e respeitado o que pode ser um elemento principal no alivio do sofrimento. Ao mesmo tempo em que se processa a escuta atenta, devemos favorecer a possibilidade de expressão dos sentimentos presentes.

As famílias também passam por diversos estágios, coincidentes ou não com os vividos pelos pacientes. Ocorrem problemas de comunicação, isolamento e confusão nos papéis familiares. Em cuidados paliativos, a família deve ser acolhida nestes momentos de intenso sofrimento em que se está vivendo a perda do paciente, bem como poder falar sobre a sensação de impotência diante do sofrimento e da dor.

Assistência domiciliar em Cuidados Paliativos oncológicos

Podemos observar que a prática em atendimento domiciliar na área da saúde vem crescendo, nos setores público e privado, tendo vantagens diversas, como a relação custo-benefício e a humanização aplicada ao tratamento. 

O Hospital de Câncer de Barretos conta hoje com o Programa de Assistência Domiciliar Semanal aos pacientes que residem em Barretos no momento e que, devido às debilitações, dificultam o acesso até ao hospital. Por questões burocráticas, essa assistência é dividida em Visita Domiciliar e Internação Domiciliar.

Os pacientes que passam por atendimento ambulatorial e que apresentam os critérios necessários para o ingresso no Programa de Assistência Domiciliar, são definidos como pacientes de Visita Domiciliar. Já aqueles pacientes que ficam internados por um período na enfermaria do hospital e se enquadram também nos critérios de Assistência Domiciliar, se tornam pacientes de Internação Domiciliar após sua alta hospitalar. A diferença da atuação da equipe em ambas as categorias é a mesma. Porém, os pacientes de Internação Domiciliar, geralmente necessitam de cuidados mais intensos da enfermagem.

O atendimento domiciliar (também conhecido como Home care) é um trabalho que envolve orientação à família e ao responsável pelos cuidados prescritos ao paciente, sendo uma modalidade de atuação ainda pouco conhecida. O papel do psicólogo é avaliar as necessidades do tratamento, compreender e traduzir as necessidades do paciente para facilitar o relacionamento do mesmo com a equipe de saúde responsável. 

A assistência em Cuidados Paliativos prevê o acompanhamento do paciente e familiar também no processo de luto, buscando acolher a família mesmo após a morte. A idéia é tirar o estigma comum: impedir que os familiares sintam-se esquecidos ou mesmo abandonados pela equipe, depois que o paciente vem a óbito. Para tanto, a equipe de psicologia do Hospital de Câncer de Barretos trabalha com famílias enlutadas, realizando um “fechamento” de todo esse processo, fazendo-a reconhecer que a sua participação foi importante para o paciente que faleceu.

Para realizar esse trabalho, a equipe de Assistência Domiciliar do Hospital de Câncer de Barretos realiza visitas e contatos com as famílias durante dois meses após o óbito do paciente. Esse processo abre um processo de acolhimento da equipe e para a equipe, fazendo com que a partilha da dor e a elaboração da recuperação e aceitação ocorram de maneira mais amena. Quando o psicólogo sinaliza complexidade aparentemente irreversível no luto vivenciado pela família, é proposta uma avaliação ambulatorial com alguns membros e, se necessário, o familiar é encaminhado para o departamento de Psiquiatria e Saúde Mental de Barretos.

Exercícios mentais devem ser feitos regularmente

É natural que ocorra um declínio das funções mentais
É natural que ocorra um declínio das funções mentais

Assim como os exercícios musculares que são recomendados a serem realizados regularmente, as atividades cerebrais também devem seguir o mesmo ritmo, sempre aguçando os sentidos como olfato, gosto, tato, audição e visão, além da inteligência e da memória.

Com o passar do tempo e o avanço da idade, é natural que ocorra um declínio das funções mentais. Diversos países já realizaram muitos estudos científicos e tais pesquisas mostram claramente que o declínio mental que ocorre devido ao avanço da idade pode ser evitado.

A atividade realizada para promover o desempenho mental é denominada de “Fitness” Cerebral. É importante identificar as diversas habilidades mentais e exercitá-las regularmente, sem contar que também é preciso estimular as percepções, memória – tanto antiga como a recente – noções espaciais, habilidades lógicas e verbais, entre outras.

“Os exercícios cerebrais são ótimos estímulos para o funcionamento da memória de pessoas da terceira idade. Dentro da fonoaudiologia, podem ser utilizados nas terapêuticas para doenças neurológicas como o Alzheimer”, ressalta a fonoaudióloga e tutora do Portal Educação, Carolina Cysne.

A partir da necessidade de exercitar o cérebro, foi criada a Oficina de Memória que é um trabalho envolvendo estudo da memória, suas características e os fatores que atuam sobre ela. É um método utilizado de maneira simples e divertida que vem sendo aprimorado ao longo dos anos.

Estou perdido ou (de fato) seguindo minha verdade?

 
 Todos os dias ouço histórias de pessoas que deixaram de lado seus sonhos porque não tiveram tempo, energia ou coragem suficientes para prosseguir.
Ouço também aqueles que estão perdidos, presos numa vida que não lhes traz muito sentido, que não parece estar alinhada com quem de fato eles são. E acabam experimentando sentimentos de ansiedade e confusão.
Mas como ter uma pista sobre estar ou não seguindo o caminho que é seu de verdade? Como saber se as escolhas que faço hoje estão alinhadas com quem eu sou? Como saber se estou só seguindo uma roda viva ou se estou criando meu próprio caminho?
Ao iniciar essas reflexões, muitas dessas pessoas acabam se encontrando e retomando seus sonhos. Mas muitas também se deparam com diversas dificuldades e, por conta disso, desistem de vez e arquivam seus desejos de outrora.
Se você também se sente perdido, se não sabe se suas escolhas estão no caminho certo, talvez esse artigo possa ajudá-lo nessa reflexão.

Por isso, o que sempre digo para meus pacientes e coachees é: observe seus próprios sentimentos. Eles irão te nortear sobre que caminho faz sentido para você mesmo. Porque uma vez que você começa a perseguir sua verdadeira paixão, você vai se sentir leve, cheio de energia e cheio de orgulho por ter vencido a si mesmo.
Para você, desejo uma excelente caminhada!

4 maneiras construtivas de lidar com as críticas

Use a crítica ou julgamento como energia para ser melhor
Use a crítica ou julgamento como energia para ser melhor
Se você faz parte de uma equipe de trabalho, uma família, uma turma de escola, uma vizinhança, então você já teve de passar por situações como essas:
- Já te criticaram por algo que você disse,
- Já te julgaram por algo que você fez (ou não fez),
- Já te criticaram por alguma opinião que você deu,
- Já te julgaram pelas amizades que você coleciona.

O tempo todo somos julgados por quem demonstramos ser, por nossas supostas falhas, por nossos erros reais. Mas, enquanto a vontade é a de virar as costas para quem nos julga ou nos critica, talvez essa seja exatamente a oportunidade que temos de crescer e amadurecer.

Tenho dito aqui nos artigos anteriores que as pessoas não estão em nossa vida por acaso. O mesmo pode-se dizer sobre as situações que vivenciamos. Sei que é terrível receber críticas ou ser julgado, mas podemos utilizar essas situações para construirmos tijolo por tijolo nossas forças e derrubarmos tijolo por tijolo nossas fraquezas.

Portanto, quando receber críticas, tente seguir os passos a seguir:


#1
Respire por um momento, defina seus limites, e responda, sem ficar na defensiva
A crítica, independentemente de boa ou má, pode nos afetar negativamente. Portanto, antes de reagir, respire por um momento e peça um tempo ao interlocutor para pensar a respeito da crítica. Explique que você ouviu o que foi dito, mas que não consegue digerir aqui e agora. Diga que gostaria de retomar a conversa assim que refletir sobre o assunto.

Se a crítica ocorre por texto (e-mail, whatsapp etc), tente não responder imediatamente. Afaste-se do texto, vá fazer outra atividade, tome um banho gostoso, faça qualquer outra coisa para refrescar seus pensamentos. Só depois de ter relaxado um pouquinho, esforce-se para responder da forma mais madura que conseguir, sem ficar na defensiva, sem ironias e sem provocar novo conflito. Tente aprender com o que lhe foi dito.


#2
Foque nos fatos, não no tom nem na forma que foi criticado ou julgado
Num mundo ideal, todos deveríamos ser mestres na maneira de nos comunicar com os demais, mas isso está longe de ser a realidade. Mesmo quando estamos com a melhor das intensões e com o melhor dos conselhos, uma má escolha de palavras pode colocar tudo a perder.

Da mesma forma, um feedback maldoso pode muito bem conter críticas construtivas e verdadeiras. Por isso é importante focar nos fatos, não no tom nem na forma. Concentre-se nas ideias do que lhe foi dito. Evite desperdiçar energia no sentimento de vitimização ou de auto-piedade. Canalize seus pensamentos e atitudes para construir algo positivo a partir daí.


#3
Use a crítica ou julgamento como energia para ser melhor, não como motivo para deixá-lo(a) para baixo
Quando passamos por alguma situação difícil, nossa melhor alternativa é usá-la para crescer e seguir adiante. Não é possível viver uma vida imune às críticas, isso faz parte da vida de qualquer um. E muitas delas, por mais doloridas que sejam, são até verdadeiras. É preciso ter humildade para ouvi-las.

Podemos usar a situação para nos motivas, para nos superar, para alcançar algum autoconhecimento sobre nossos erros, falhas, vacilos. 

Podemos escolher amadurecer, mesmo que não seja nada fácil.


#4
Entenda o ponto de vista de quem está criticando ou julgando
Entender o ponto de vista do interlocutor não significa concordar com ele. Significa entender por que ele pensa assim. Será que o contexto no o qual foi criado e educado foi diferente do seu? Será que a família que o criou passou que tipo de valores e princípios para ele(a)? Será que a pessoa vem de outra religião, outra cultura, outra época, outra cidade, outro país?

Se você perceber que a pessoa tem uma forma de enxergar o mundo bem diferente de você, talvez um caminho seja separar a mensagem em pontos a considerar e pontos a desconsiderar.

Não descarte todo o conteúdo da crítica, pois você pode aumentar ainda mais sua forma de enxergar o mundo, aumentando também sua zona de conforto.

E lembre-se: só é criticado aquele que aparece. Como diria o filósofo Elbert Hubbard, “para evitar críticas, não faça nada, não diga nada, não seja nada”.

Por que repetimos os mesmos sofrimentos?


Não importa em que tipo de relacionamento você se encontre, se familiar, afetivo, de amizade, profissional. Escuto esta pergunta o tempo todo: Mas, Alenne, por que eu continuo sofrendo pelos mesmos motivos? Atraindo o mesmo tipo de pessoas? Passando pelos mesmos problemas?
A resposta é bastante simples, embora sua solução demande um bocado de esforço:                             O responsável é seu Eu Machucado.
Todos nós temos dois EUs ou, se preferir, dois SELFs. Temos o Eu Machucado (ou Self Inferior) e o Eu Superior (ou Self Superior).
O Eu Machucado é sua parte incompleta, é sua porção que questiona seu valor próprio, que não se sente completo, se sente inferior. Seu Eu Machucado vive se perguntando por que você não é suficiente, por que não consegue isso ou aquilo, por que não merece o que deseja. É seu Eu Machucado que não se conforma em não ser amado.
Por outro lado, você também tem um Eu Superior. Talvez ele esteja mais próximo do que chamamos de alma. É sua parte ligada ao amor mais puro e verdadeiro, à sabedoria, à verdade, à sua paz interior. Seu Eu Superior sabe exatamente seu valor, conhece suas forças e aceita que você seja do jeitinho que você é. Este Eu Superior não precisa que outros nos valorizem, nos amem, nos reconheçam; ele já faz tudo isso por você. Ele reconhece sua completude em si mesmo.
Em muitos momentos, operamos a partir de um ou de outro. Mas muitos de nós operamos na maior parte do tempo a partir do Eu Machucado. Ou seja, acreditam que são inferiores, frágeis, incompletos e que precisamos de algo externo para compensar essa falta.
O Eu Machucado procura lá fora (nos outros, nas coisas, nos relacionamentos, no emprego, no dinheiro…) algo que te faça encontrar validação e reconhecimento. Ele acredita que quanto mais você tem (repito: um parceiro melhor, um emprego melhor, uma casa melhor, mais férias, mais dinheiro…) aí sim você será feliz.
Mas … o vazio não é preenchido e você nunca consegue essa felicidade pronta e sem fim.
Na verdade, nos primeiros momentos em que você obtém esse algo externo (dinheiro, amor, férias…) você até se sente muito animado, como se não precisasse de mais nada. É uma falsa completude, porque é da própria natureza do Eu Machucado: ele nunca se sente completo, nunca é o suficiente.
Portanto, quando você vive através da perspectiva do seu Eu Machucado, você está destinado a se sentir como se algo estivesse sempre faltando.
Em relacionamentos afetivos o Eu Machucado fica altamente ativo, pois é nos relacionamentos onde vivemos mais situações em que podemos experimentar sofrimento.
Todos nós já vivenciamos chateações, decepções, dores num relacionamento passado. Muitas vezes essa memória (tantas vezes inconsciente) é originada lá na infância, nos nossos primeiros relacionamentos (pai, mãe, responsáveis, avós, tios, irmãos, primos, professores, coleguinhas…).
Se uma ferida da infância ainda está ativa dentro de você, é provável que você atraia pessoas que lhe farão reviver esse mesmo sentimento. Quer um exemplo? Se você foi rejeitado, é possível que atraia relacionamentos que, no fim, te façam se sentir invisível, rejeitado, sem valor, abandonado.
Seu inconsciente está programado para atrair pessoas que ativam essas feridas. E você pode me perguntar: Mas Alenne, por que isso acontece? Até quando preciso passar por isso?
A razão para isso é simples e muitas vezes difícil e dolorida: Para você aprender com essa experiência e crescer.
Por exemplo, se você precisa desenvolver sua autoestima, é provável que você atraia todo tipo de pessoas que irão intimidá-lo, desvalorizá-lo, que serão agressivos com você, que irão se opor ao que você pensa e sente, que não reconhecerão o que você faz ou fez por elas. Essa, então, poderá ser sua oportunidade de praticar e desenvolver sua autoestima.
Sei que essa é justamente a parte mais dura de um processo terapêutico, justamente quando você se percebe nessa repetição. Inicialmente quando a repetição é inconsciente talvez você sofra menos. Mais difícil é quando já sabe as origens da repetição, quando já começou a se trabalhar, mas ainda se vê envolta nos mesmos sentimentos. Essa é a parte mais difícil de aceitar.
Mas tente pensar da seguinte forma: Você está repetindo essas experiências e sentimentos para que possa finalmente curar-se.
Você não vai conseguir curar qualquer coisa se não puder senti-la ou enxergá-la. Não podemos curar as coisas que são inconscientes! Essa sensação de desconforto tem de vir à tona para que você consiga crescer a partir disso, a partir do aprendizado.
E como você consegue crescer a partir dessas feridas?
Mais uma vez dou uma resposta simples, mas também difícil: Identificando-se com seu Eu Superior.
Lembra que falei que seu Eu Superior é aquela sua parte que conhece sua essência, sua verdade, seu valor? Pois é. Ele sabe o quanto você é inteligente, digno, capaz, poderoso, engraçado, justo, amoroso. É isso e mais ainda que seu Eu Superior sabe sobre você e ele quer (e quer muito!) que você também saiba disso.
Seu Eu Superior sabe que você é completo, é pleno. Ele também sabe que você tem defeitos (afinal, todos temos!), mas sabe que é justamente essa imperfeição que te faz humano.
Quando você se identifica com seu Eu Superior, sua compulsão por repetir os padrões do passado vão se dissipando. E, aos poucos, desaparece. Mas esse é um processo, não é um evento. Não ocorre em dias ou em meses, pode durar de meses a anos.
E por que demora? Por que tem de ser tão sofrido assim?
Outra resposta simples, mas difícil de encarar: Por que você passou anos e anos vivendo assim, repetindo essa ferida. E não é de um dia para o outro que tudo isso se dissipa. Há um processo que se inicia em tornar tudo isso consciente (o que dói), depois encarar essa realidade, trabalhar em cima dela, lutar contra as autossabotagens (pois o Eu Machucado luta ferozmente para se manter ativo e poderoso), reconhecer suas qualidades e defeitos, perceber seu valor e a capacidade de mudar de pequenas a grandes coisas… Enfim, o processo pode demorar. Mas só quem viveu um resultado concreto pode dizer o quanto vale a pena manter-se confiante.
Quando você acorda para a verdade maior do seu Eu Superior, de repente você percebe que essas pessoas “erradas” eram apenas “professores da vida real”. Eles estavam ali, não à toa, para te ensinarem a fazer as pazes com sua Criança Interior.
Sabe aquela frase “A gente cresce no amor e na dor”? Infelizmente, na maioria das vezes, a gente acaba aprendendo na dor. Mas embora seja sofrido, o ponto ao qual devemos nos apegar é justamente o aprendizado, e não a dor do processo.
Esteja certo de que seu Eu Superior está doido para que você lhe dê forças, para que ele possa te mostrar o quanto você tem valor, quem você realmente é, e o que você de fato merece.
Mas recuperar esse amor dentro de você não é um trabalho fácil. Há de se ter persistência para lutar com o Eu Machucado. Por isso sempre digo que é um processo que ocorre de dentro para fora. E não de fora para dentro. Para que isso aconteça, você precisa reconhecer em si um mínimo de valor. Só depois de um “eu mereço” é que você acabará indo em busca de auxílio para ressignificar esses padrões que, hoje, tanto te fazem mal.
Procure e persista. O resultado virá.

Psicoterapia pode ser a cura para problemas emocionais



A psicoterapia vem sendo estudada há muito tempo
A psicoterapia vem sendo estudada há muito tempo

Problemas emocionais e de relação são resolvidos com conhecimento científico da psicoterapia.

O sofrimento humano muitas vezes é menosprezado e as pessoas que sentem não sabem lidar com as dificuldades. Os sintomas podem surgir com um simples conflito, podendo ir até a transtornos psicopatológicos e crises existenciais.

Na psicoterapia a pessoa pode se desenvolver, amadurecer, se conhecer, sendo uma coisa que acontece naturalmente com cada indivíduo e que alguns sentem mais dificuldade.

A psicoterapia é constantemente utilizada no tratamento de pessoas com transtornos psicológicos, transtorno de personalidade, esquizoide, entre varias outras variações.

A psicoterapia vem sendo estudada há muito tempo, desenvolvendo resultados cada vez mais significativos. Geralmente os prazos de tratamento variam de pessoa para pessoa dependendo da gravidade do problema. Hoje a psicoterapia consegue resultados almejados em torno de 3 anos de tratamento

As dores que passamos nos ajudam a amadurecer?

As dores que passamos nos ajudam a amadurecer?
As dores que passamos nos ajudam a amadurecer?

O quanto nossas dores (físicas, emocionais, financeiras...) nos ajudam a crescer? Certamente elas ajudariam muito mais se tivéssemos olhos e coração abertos o suficiente para enxergar as maravilhas que podem se esconder por trás de cada situação que passamos.


Escuto muitos ainda questionarem essa ideia. Não concordando ou não entendendo como algum tipo de dor faria um ser crescer e amadurecer. Pois bem, muitas vezes estamos tão inseridos em uma situação que não conseguimos enxergar ou perceber nada além dos nossos olhos físicos. A dor é real, a pessoa está sentindo realmente a dor no corpo físico, dores de cabeça, musculares, doenças, tratamentos médicos. No seu emocional, tristezas, perdas, luto, separações, ansiedade, medos, culpas, situações afetivas. Na parte financeira, desemprego, dívidas, contas, nos alimentar, nos vestir, estudar, enfim, viver e sobreviver. Tudo isso e outras mais nos causam dor, sem sombra de dúvida. Alguns sentem mais um tipo de dor e tiram de letra outras. Se entendermos que aonde a dor aperta mais é justamente aí que temos um aprendizado a ser feito aceitaríamos talvez como um ciclo a ser passado. E se a dor é inevitável e o sofrimento é opcional; o que ainda não entendemos, ou o que precisamos fazer para que não soframos com as situações?


Pois bem, na frase muito verdadeira em que afirma-se que o sofrimento é opcional, realmente ele é. Uma vez que cada um reagirá de uma forma diferente, perante as situações. Nesse momento podemos fazer um exercício e olhar para nossa vida, procurar ver que situações já passamos e tivemos sofrimento. Após esse exercício procuremos ver a forma que reagimos frente a ele. Muitas pessoas se apegam ao sofrimento, carregam-no vida afora, como se ele fosse uma extensão do próprio corpo. Não buscam auxílio para eliminá-lo, mas sim ficam na queixa, na vitimização, aprendem a conviver com ele, assim não descobrindo a verdadeira causa que poderia auxiliar a extingui-lo.


Existem muitas formas de superar e não se apegar ao sofrimento; delimite-se um tempo para lamentar, viver a situação, passar pelo processo da dificuldade em questão. Precisamos entender o que temos que aprender com a situação. Após isso, tome a atitude de eliminar a postura vitimista e, se perceber que as coisas continuam na mesma, o sentimento não melhora, não está conseguindo sair da situação, pelo contrário os sintomas estão aumentando, procure ajuda de alguém capacitado para auxiliar. Para cada área há um profissional que já atendeu e acompanhou vários casos parecidos ou iguais aos seus.


Mas e voltando ao assunto em que a dor pode nos fazer crescer e evoluir? Muitos não entendem como isso poderá acontecer. De modo “simples”, primeiramente nos questionando o que tenho que aprender e compreender? O que posso/devo mudar? De modo simples, podemos dizer que ela nos auxilia a enxergar características que achávamos não possuir, ou, vendo de outra forma nos faz desenvolver atributos. A dor (novamente entenda-se dor tanto como as emocionais, físicas, financeiras, etc.) pode nos tornar mais fortes, menos ranzinza, pode nos ensinar a ter mais compaixão pelo próximo, a sermos mais humildes, a ter mais paciência, sermos menos egoístas assim mais altruístas, mais corajosos, desapegarmos do material, aprendermos a viver de uma forma mais simples, a nos doarmos mais, a sermos mais leves, mais espiritualizados, mais alegres e mais felizes.


Então, ela realmente pode nos ajudar a crescer e evoluir, mas não fará isso sozinha. Isso dependerá da nossa postura frente a ela e do nosso necessário desapego dela. Cabe a cada um fazer sua parte, porque essa ninguém fará por nós. E convenhamos, é tão bom convivermos com pessoas alegres, leves e felizes, não é? Você não gosta? Então decida por ser essa pessoa você também. 

Mantenha uma Boa Saúde Mental

Saúde mental é o estado psicológico harmonioso de uma pessoa
Saúde mental é o estado psicológico harmonioso de uma pessoa

Saúde mental é o estado psicológico harmonioso de uma pessoa. A confusão entre transtorno psiquiátrico e má saúde mental é muito frequente, pois tanto um quanto o outro possuem relação com a mente das pessoas. Uma pessoa que possui a saúde mental debilitada é aquela que se sente afetada pelas emoções sentidas diariamente, seja ela alegria, tristeza, estresse, cansaço ou qualquer outro sentimento que mexa com o equilíbrio mental do indivíduo. Já o transtorno psiquiátrico é uma das doenças causadas pela saúde mental em estado crítico.

Para ter uma saúde mental saudável é recomendado ter bons hábitos alimentares, evitar o consumo de álcool e drogas e manter uma harmonia entre os sentimentos que possa vir a estar exposto no dia a dia. O SUS (Sistema Único de Saúde) possui assistência para as pessoas que apresentam algum tipo de problema quanto à saúde mental.

Diversos profissionais são indicados para tratar desse desequilíbrio mental. Entre eles, estão: o psicólogo, o psiquiatra, o neurologista e o psicanalista. Esses especialistas têm como principais funções identificar quais são os fatores que interferem na saúde da pessoa e auxiliá-la com tratamentos.

Hoje, o maior desafio de pessoas que trabalham nessa área é lidar com a quantidade de pessoas desenvolvem doenças mentais por fazerem uso de drogas, principalmente o crack. Esses pacientes na maioria das vezes chegam muito debilitados para realizar os tratamentos necessários.

No mais, até mesmo pessoas que se sentem bem mentalmente é recomendado fazer visitas regularmente ao consultório de algum especialista para que, caso venha desenvolver algum tipo de doença, o diagnóstico será feito logo no inicio.


Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO - Cursos Online : Mais de 1000 cursos online com certificado 
http://www.portaleducacao.com.br/psicologia/artigos/72750/mantenha-uma-boa-saude-mental#ixzz4EM99piYw

Psico-Oncologia: conceitos, conquistas e desafios

Luta contra as variadas formas de câncer
Luta contra as variadas formas de câncer

A Psico-Oncologia é uma especialidade da Psicologia e uma subespecialidade da Oncologia que procura compreender as dimensões psicológicas presentes no diagnóstico oncológico, tais como o impacto do câncer no funcionamento emocional do paciente, de sua família e dos profissionais de saúde envolvidos em seu tratamento. A Psico-Oncologia representa a área de interface entre a Psicologia e a Oncologia.

Antes de fazer as considerações necessárias acerca da Psico-Oncologia, faz-se necessários a definição de alguns conceitos básicos.

A Oncologia ou Cancerologia é a ciência e especialidade da medicina que estuda o câncer e como ele se forma, instala-se e progride, bem como as modalidades possíveis de tratamento.

Câncer ou enfermidades oncológicas são denominações utilizadas para descrever um grupo de doenças que se caracterizam pela anormalidade das células e sua divisão excessiva.

A confirmação do diagnóstico oncológico e a realização de procedimentos invasivos durante o tratamento, pode desencadear um desequilíbrio emocional tanto no paciente quanto em sua família. Ocorre uma mudança significativa na vida das pessoas após o diagnóstico de câncer, e tudo isso pode ser concebido como algo ameaçador à integridade física e mental desses indivíduos. O câncer é uma enfermidade ainda repleta de estigmas, associada a morte, e apesar de todo o conhecimento e informações acerca dessa enfermidade, o diagnóstico do câncer tem usualmente um efeito devastador.

Em maior ou menor número, em diferentes momentos do processo da enfermidade, o paciente apresentará algum desconforto frente á essa nova realidade, independentemente de ter uma rede de apoio (família, amigos, associações, igreja) fortalecida ou uma crença religiosa e o psicólogo apesar da linha teórica que escolher (psicanálise, gestáltica, cognitiva comportamental, dentre outras), juntamente com a equipe competente, precisam prontamente atender as demandas desses pacientes a fim de obter melhores resultados durante o tratamento. Ou seja, o ponto de união desta área é o paciente de câncer. Suas dificuldades, necessidades, problemas precisam ser atendidos, seja facilitando um melhor enfrentamento da doença e permitindo uma convivência melhor com ela, seja melhorando o estado psicológico e este levando a um melhor estado geral orgânico, auxiliando na recuperação e na cura, se possível.

Na atuação do psicólogo juntamente com a equipe de saúde, existe ainda um desafio do trabalho do profissional de psicologia em uma equipe multidisciplinar. A chegada da Psico-Oncologia no hospital é recente e sua função ainda é frequentemente desconhecida ou distorcida. Mas já existem situações em Hospitais onde o psicólogo não é só é muito valorizado como também é requisitado pelo corpo médico e equipe de saúde.

Em relação às possíveis causas, ao tratamento, recuperação e cura, apesar de todo o avanço da medicina, do ensino e pesquisa, sem dúvida, ficam claras as lacunas do conhecimento do que realmente ocorre nos processos oncológicos. Não se sabe quais são todos os fatores desencadeantes do processo cancerígeno e quais os fatores curativos. Os mesmos tratamentos não surtem os mesmos efeitos em pacientes com os mesmos diagnósticos e prognósticos, atravessando a mesma fase da doença, a priori o que se pode fazer é o investimento no tratamento e o fortalecimentos das redes de apoio bem como a assistência pessoal, psicológica a esse paciente.

É essencial compreender e dar suporte a todas as transformações oriundas, decorrentes desde a confirmação do diagnóstico até a fase de recuperação ou fase terminal, bem como ouvir e aprender com o paciente, tendo sempre em mente que estamos cuidando de um ser humano repleto de experiências, vivências, sonhos, crenças, limitações, dentre outros aspectos e não apenas da enfermidade que ele traz


Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO - Cursos Online : Mais de 1000 cursos online com certificado 
http://www.portaleducacao.com.br/psicologia/artigos/49801/psico-oncologia-conceitos-conquistas-e-desafios#ixzz4EM7ElQiP

O possível efeito de estresse sobre o câncer

Muitas vezes recebo pacientes oncológicos que me dizem saber quando o seu câncer se iniciou. Uns mencionam a morte da mãe, outros o adoecimento do pai por Alzheimer, a perda de uma filho, um divórcio, uma aposentadoria indesejada, etc... ou seja, sempre há, anteriormente, uma perda muito sentida.

Em geral, quando o resultado histopatológico chega, há uma relação temporal entre o início da neoplasia , ou da recidiva e o fato traumático mencionado. Não podemos afirmar, porém, que uma perda importante cause necessariamente o câncer. Diversas pessoas sofrem perdas bastante dolorosas e não desenvolvem neoplasias. 

O que podemos afirmar é que uma perda importante que não tenha sido ressignificada pode ajudar o aparecimento de doenças, dentre elas o câncer. 

Ressignificar uma perda é metabolizá-la bem, aceitá-la e transpor o fato criando outros significados para ele. 

Há pessoas que se fixam em um fato e continuam a vivê-lo sem evoluir para outras etapas, não criando outros projetos, outras metas; tornam-se prisioneiros do passado.

Isso causa um estresse continuado e crônico, que mesmo não sendo sentido pela pessoa, vai minando o funcionamento do seu organismo como um todo e propiciando o aparecimento de algumas doenças. O termo "stress", cuja variação foi mencionada acima e tão usado hoje em dia, foi cunhado por Hans Seile na década de cinqüenta e quer dizer "pressão" em alemão. 

O ser humano necessita de certa quantidade de pressão para cumprir suas tarefas diárias, ser estimulado a perseguir novos objetivos e até para saciar as necessidades básicas de fome e sede. Isso é o que chamamos de estresse positivo ou EUSTRESS.

Quando, porém, uma tarefa exige uma quantidade exagerada de energia para ser desempenhada, ela tomará recursos do indivíduo que estavam alocados para outras funções. Estas, por sua vez, ficarão comprometidas. Muitos acidentes de trânsito ocorrem por esse deslocamento de energia que torna a pessoa desatenta e diminui seus reflexos. Esse é o estresse negativo ou DISTRESS. 

Ainda há os casos em que o gasto energético não é demasiado, mas muito prolongado, podendo acarretar desgaste no sistema como um todo e acarretar várias reações, todas maléficas, como, por exemplo, o adoecimento.

A Psiconeuroimunologia, ciência que explica o funcionamento sistêmico do ser, confere autenticidade a essa posição.

Para a PNI, a saúde é o equilíbrio dinâmico entre os diversos sistemas que compõem o ser. Qualquer alteração em um dos sistemas (psicológico, neurológico, endocrinológico ou imunológico), acarreta um desequilíbrio em todas a partes do indivíduo. 

A tendência posterior é a de o sistema se reequilibrar, pois possui vários mecanismos para tal. No entanto, um desequilíbrio continuado pode ser fatal, levando o sistema à falência e ensejando o aparecimento de doenças.

O estresse continuado, ocasionado por um trauma não sobrepujado, mina o sistema imunológico. Propicia, por mecanismos de retro-alimentação, o descontrole de neuro-transmissores cerebrais (entre eles a serotonina e a nor-adrenalina), causando depressão. Como sabemos, um organismo debilitado em suas defesas (especialmente carente das células Nk, matadoras naturais, que combatem células tumorais) e deprimido tem mais chances de permitir o aparecimento e o desenvolvimento de tumores.

Costuma-se dizer que as pessoas adoecem da mesma forma que vivem: se são compassivas na vida, o serão ao enfrentar as doenças; e se são assertivas, ousadas, agressiva, da mesma forma lutarão contra elas.

A posição de "vítima" de certos pacientes, mesmo após vencida a doença, também é por demais negativa, porque impede que superem o papel de "doente" e adotem o de "ter tido um câncer".

A "vítima" é sempre passiva diante do que lhe acontece. Essa atitude, que a princípio é mais confortável, a longo prazo imobiliza a pessoa, retirando-lhe qualquer sensação de controle sobre sua vida. 

Raciocínio semelhante pode ser utilizado na expectativa de recorrência de um câncer. É sempre curioso perceber que, em duas pessoas com a mesma idade e condições físicas semelhantes, a neoplasia pode evoluir de forma totalmente diferente.

Há pessoas que lidam com o diagnóstico de câncer enfrentando-o com dor, é claro, porém dentro da realidade. Elas procuram utilizar-se de todas as possibilidades que o arsenal médico e das áreas afins oferecem e, mesmo sabendo que têm uma doença potencialmente fatal, conseguem apartear a doença e continuar com as suas vidas normalmente após a alta. Acreditam na vida que pode ser vivida a partir de então. Alguns indivíduos, diante da possibilidade real de finitude, refazem seus planos de vida, mudam seus valores, tornam-se pessoas mais autênticas e vivem realmente o presente, que, afinal, é o único tempo que todos nós temos...

O medo da recidiva de um câncer é claro que pairará sempre sobre o paciente, seus familiares e amigos. Muitos, no entanto, conseguem não se paralisar com essa possibilidade e vivem uma vida com muito mais senso de sua autenticidade.

Muitas vezes, quando a doença já avançou, o medo não é propriamente da morte, mas do sofrimento, da dor, da desfiguração, da dependência. Enfim, da perda da autonomia. Para a dor a Medicina já possui recursos que aliviam sobremaneira o sofrimento. Nos dias atuais, a fase terminal de um câncer, se bem conduzida, não precisa ser terrível.

Nessa etapa, em que não há mais esperança de cura, trabalha-se unicamente pela qualidade de vida da pessoa e de sua família. Sempre há o que fazer para aliviar os sintomas e dar conforto.

Hoje estou permanentemente em contato com pacientes oncológicos que têm plena consciência de que sua doença é crônica. Sabem que não vão curar-se, mas também que a doença não é uma sentença de morte iminente.

Há cada vez mais pacientes que lutam e combatem um câncer por anos a fio e continuam vivendo tão plenamente quanto suas possibilidades permitem.

Nesse caso, a meu ver, a comunicação clara e verdadeira entre a equipe médica, paciente e familiares diminui sobremaneira o peso das dúvidas, dos segredos e dos cuidados fortuitos de poupar o paciente e a família do real estado de saúde da pessoa.

Essa sinceridade pode, às vezes, permitir que assuntos não resolvidos entre os familiares possam ser ventilados, providências legais sejam tomadas a tempo e perdões e despedidas possam ocorrer.

Em alguns casos, porém, observamos o contrário acontecer. Paciente e família imaginarem que a morte é iminente sem que seja esse o caso. Antecipam desnecessariamente a dor, o luto, a tristeza e a perda, sem aproveitar qualitativa e quantitativamente um tempo precioso com seus entes queridos.

Atualmente, já está constatado o importante papel da alegria na prevenção de processos de adoecimento. A Clinica Mayo acaba de publicar um estudo retrospectivo sobre pessoas entrevistadas há trinta anos que se dividiam entre otimistas e pessimistas. Ao longo dos anos seguintes à pesquisa, os componentes do primeiro grupo adoeceram 50% menos das mais diversas doenças, do que as que se qualificavam como pessimistas.

Podemos citar ainda um outro estudo publicado em agosto de 2002 pela Revista Câncer. Nele, além da influência do estresse na imunomodulação e, por consequinte, na ligação entre sistema imune deficiente e progressão do câncer, abriu-se uma outra senda interessante de investigação: O tumor é uma vida dentro da vida. Para se desenvolver, precisa de nutrição e mobiliza o mecanismo de angiogênese, ou seja, a formação de novos vasos. 

É através desta nova e anômala rede de vasos sanguíneos que o tumor se alimenta e permite a multiplicação infinita de suas células.

O referido estudo da Universidade de Iowa mostra que mulheres que se definiam como tendo um bom sistema de apoio social e diagnosticadas com câncer de ovário tinham uma formação de novos vasos menor, ou seja, uma melhor expectativa para a sua doença, pois menos nutrientes chegavam ao tumor.

Por fim gostaria de mencionar que a medicina hoje já tem uma expectativa tão positiva para certos tipos de câncer em crianças, adolescentes ou adultos ainda sem filhos, que tenta proteger de forma química, cirúrgica ou através da criopreservação parte das gônadas (os órgãos reprodutivos), antevendo um futuro em que a criação de uma prole seja possível.

Falar que uma mulher que teve câncer de mama está grávida já não é mais uma heresia. Tomando-se as devidas precauções, isso já faz parte da realidade.

Portanto, cabe a nós, cuidadores da equipe de saúde, ampliar a nossa compreensão desta intrincada doença e ajudar aos que nos chegam a passar com menos dor essa crise temporária e ou fatal.

A dor da perda

 ´A dor é suportável quando conseguimos
acreditar que ela terá um fim e não quando fingimos
que ela não existe.´
Allá Bozarth-Campbell

´Às vezes, quando sentimos a falta de alguém, parece que
o mundo inteiro está vazio de gente.´
Lamartine


Primeiramente, quero abordar alguns mitos sobre o luto, que dificultam uma compreensão clara a respeito dessa experiência tão humana e universal. 

 Luto e pesar são uma mesma experiência.

A vivência da perda e do luto progride de acordo com fases previsíveis e sequenciadas.

Devemos sair do luto, em lugar de encará-lo.

A partir da perda de uma pessoa amada, devemos ter como objetivo superar o luto, o mais cedo possível.


A dor expressa em lágrimas é um sinal de fraqueza

Luto e pesar são a mesma experiência?
Há diferenças fundamentais entre as duas experiências e entender essa diferença é fundamental.


Pesar : é um complexo de pensamentos e sentimentos sobre a perda, que são vivenciados internamente. Em outras palavras, é o significado interno dado à experiência do luto.

Luto: é o pesar tornado público, quando você se apodera desses sentimentos e pensamentos e os expressa e compartilha com os que o cercam. Chorar, falar sobre a pessoa que morreu ou celebrar datas especiais são apenas alguns exemplos. Mesmo que esta expressão se dê sem a presença de outras pessoas, também pode ser entendida como uma forma saudável de luto.

Há uma seqüência previsível de fases na vivência do pesar e do luto?


Não é possível falar com precisão sobre essa seqüência, embora exista a necessidade de compreender o processo e, por que não dizer? - tentar controlá-lo. A noção de fases pode até mesmo ajudar as pessoas a encontrar sentido para sua experiência de luto, mas não é possível substituir o medo e a sensação de falta de sentido, naturais em uma experiência de luto, pelas falsas certezas de que as pessoas viveriam essa experiência seguindo pelas mesmas fases. 

O conceito de fases foi popularizado com a primeira publicação, em 1969, do livro ´Sobre a Morte e o Morrer´, de Elizabeth Kubler-Ross, sem dúvida um marco na literatura sobre o assunto. No entanto, ela jamais desejou que as pessoas passassem a interpretar literalmente sua descrição de fases do morrer, como foi feito, com conseqüências desastrosas para a compreensão do processo.

A pessoa enlutada com freqüência encontra outras, na mesma situação, que adotaram um sistema de crenças rígido sobre o que deve ser experimentado nessa jornada ao longo do luto. Essas crenças podem afetar profundamente o processo individual natural. Podemos encontrar respostas de desorganização, medo, culpa, mas também podemos não encontrá-las. Ou a regressão pode ou não acontecer ou se sobrepor a qualquer outra das respostas. As emoções podem seguir-se umas às outras com intervalos curtos ou até mesmo duas ou mais emoções podem estar presentes ao mesmo tempo. 

Cada pessoa fica enlutada de sua maneira, não existindo, portanto, maneiras melhores ou piores, nem a imposição de uma seqüência rígida, que normatiza o processo. O luto é uma experiência pessoal e única, para cada pessoa.

Devemos evitar o luto, em lugar de enfrentá-lo?


Talvez como resultado dos valores prevalentes na sociedade ocidental moderna, as pessoas enlutadas são encorajadas pela sua comunidade a prematuramente deixar para trás a experiência do luto. Como resultado, temos duas situações: ou o enlutado vive seu processo isoladamente ou força-se a abandona-lo, antes de te-lo completado. Amigos e familiares, bem-intencionados mas desinformados, tentam fazer com que o enlutado desenvolva auto-controle, entendendo que essa é a resposta adequada, tornando muito difícil para o enlutado enfrentar essa mensagem poderosa, que encoraja a repressão emocional.

Com freqüência, as pessoas me perguntam quanto tempo dura o luto. Entendo que esta é uma pergunta diretamente relacionada à impaciência que nossa cultura tem com o pesar e o desejo de sair logo da experiência do luto. Um exemplo disso é a pressão que o enlutado sofre, logo após a perda, para voltar à atividade normal. Aqueles que permanecem expressando tristeza por um tempo prolongado são considerados fracos, loucos. A mensagem sutil é ´seja forte, não se deixe abater´. Ou seja: o luto passa a ser visto como alguma coisa a ser evitada e não, que precisa ser vivida. E o enlutado passa a apresentar um comportamento socialmente aceitável, que, porém, contraria sua necessidade psicológica. Mascarar ou fugir do luto causa ansiedade, confusão e depressão. Se a pessoa enlutada receber pouco ou nenhum reconhecimento social para sua dor, poderá temer que seus pensamentos e sentimentos sejam anormais, o que nem sempre ocorre. 

A partir da perda de uma pessoa amada, devemos ter como objetivo superar o luto, o mais cedo possível?

O enlutado pode ouvir alguém lhe perguntar: Você já superou sua dor? Ou, o que é pior: ´Já está na hora de você sair dessa.´ Em termos clínicos, a dimensão final do pesar é com freqüência entendida como resolução, recuperação, restabelecimento ou reorganização. Por que não pensar em reconciliação? Esta palavra pode ter um significado mais apropriado acerca do processo vivido. Não significa passar pelo luto, significa crescer por meio dele. Reconciliação é mais expressiva daquilo que ocorre, à medida que o enlutado integra essa nova realidade de se mover ao longo da vida sem a presença física da pessoa que morreu. 

A reconciliação permitirá que o enlutado tenha um senso de confiança e energia renovado, uma habilidade para reconhecer totalmente a realidade da morte, e a capacidade de se tornar envolvido novamente. O mais importante: o enlutado poderá reconhecer que, embora difícil, a dor e o pesar são partes necessárias do viver. À medida que for ocorrendo a reconciliação, o enlutado poderá se dar conta que a vida será diferente sem a presença da pessoa que morreu. Mas para isso será necessário perceber que a reconciliação é um processo, não um evento. Além da compreensão intelectual, existe a compreensão emocional e espiritual. Ou seja: além de entender na mente, vai entender no coração: a pessoa amada morreu. A dor sentida vai deixar de ser onipresente e aguda, para se transformar em um sentimento de perda que pode ser reconhecido e dá vez a um significado e um propósito renovados. O sentimento de perda não desaparece completamente, ele é atenuadoe as crises de pesar, antes intensas, tornam-se menos freqüentes e mais suaves. À medida que o enlutado começa a fazer novos envolvimentos, emerge a esperança de continuar a viver. É possível perceber que, embora a pessoa que morreu jamais virá a ser esquecida, a vida pode e deve continuar a ser vivida. Não se trata de ´superar´ o pesar. Quando o enlutado começa a mergulhar no trabalho do luto, ele irá se reconciliar com ele. 

A dor expressa em lágrimas é um sinal de fraqueza?


Muitas vezes, as lágrimas devidas a uma perda são associadas a fraqueza e inadequação pessoal. O pior que o enlutado pode fazer é permitir que este julgamento o impeça de se expressar dessa maneira. Enquanto suas lágrimas podem ocasionar um sentimento de impotência nos amigos, família e cuidadores, é preciso que ele cuide para não se deixar inibir por eles. É possível que a pessoa que está preocupada com o enlutado tente, mesmo que de maneira sutil, por desejo de protegê-lo, evitar que ele chore, para protege-lo e a si mesma, da dor da perda. Ouvem-se frases como: ´As lágrimas não o trarão de volta´ ou ´Ele não gostaria de vê-lo chorar´ . No entanto, chorar é uma maneira natural de aliviar a tensão interna e permite que seja comunicada a necessidade de ser confortado.


Mesmo com dados ainda limitados, há evidências de pesquisa que apontam que a supressão das lágrimas aumenta a suscetibilidade a distúrbios relacionados ao stress. 

Por que cada perda é única?


O que há de muito especial nos seres humanos? Cada um é único, não há dois iguais e isso se reflete nos vínculos que estabelecemos, bem como nas condições da dor pela perda daqueles que amamos.

Há alguns fatores que contribuem para a compreensão dessa experiência incomparável que é o luto.

Fator 1) A natureza da relação com a pessoa que morreu
Fator 2) Circunstâncias da morte
Fator 3) Circunstâncias do sistema de apoio do enlutado
Fator 4) A personalidade - incomparável - do enlutado
Fator 5) A personalidade - incomparável - da pessoa que morreu
Fator 6) O contexto cultural do enlutado
Fator 7) O contexto religioso e espiritual do enlutado
Fator 8) Outras crises ou situações de stress na vida do enlutado
Fator 9) Questões de gênero
Fator 10) A experiência com os rituais de luto


Quando falo na dor da perda, assim entendida, preciso citar aqui um poeta brasileiro contemporâneo, que todos vocês conhecem, Caetano Veloso, que disse:

´Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.´